21 março 2008

Educador precisa de autonomia

O Educarede publicou entrevista e palestra com Nelson Preto, da UFBA, “O papel das novas mídias na Educação: professor e aluno como autores”. Partilho da mesma opinião que o professor quando ele afirma que o papel da escola é produzir conhecimento, de forma cooperativa e não simplesmente consumir informações. Dessa forma, não podemos mais falar hoje em padronizar a educação, imaginar um conteúdo fechado, determinado de cima pra baixo. Professor tem que ter autonomia, precisa ser "autor" e não "ator", afirma Pretto. Já dizia Freire, Vigotsky, Piaget e outros grandes educadores que a aprendizagem ocorre na interação com o meio social. Não podemos então desvincular as experiências educativas na escola das vivências do aluno na sociedade. É inaceitável que em pleno século XXI ainda haja quem defenda a produção em massa de um monte de alienados nas escolas, que sejam treinados para atender às exigências da sociedade de consumo. Não há como desenvolver a criatividade , estimular o potencial individual e o respeito às diferenças, senão aprendendo de forma cooperativa, aberta, abrindo a escola para o mundo. Não há como formar uma sociedade justa sem o respeito a essas diferenças, portanto padronizar a educação é o mesmo que negar o direito à cidadania plena. Nesse sentido, o uso das tecnologias não pode ser visto como mais um artifício de modernidade, onde por trás a lógica da transmissão e consumismo de informação continua a mesma. O que precisamos é criar uma política de cooperação, onde através da tecnologia o aluno e o professor possam "criar" utilizando as informações disponíveis, pessoas e instituições além dos muros da escola que possam agregar conhecimento através de trocas mediadas pelo professor. Ouça a palestra na íntegra aqui.
Em contrapartida, o jornal Zero Hora publicou dia desses uma entrevista com a Sra. Secretária de Educação do Estado do RS: "As escolas precisam prestar contas", onde ela explica a nova política adotada com a educação da escola pública aqui no meu estado. Destaco aqui parte das declarações fornecidas: "Quando o Rio Grande do Sul tinha a melhor qualidade de educação no Brasil, no início dos anos 60, tinha duas coisas que caracterizavam o funcionamento da rede estadual de ensino. Uma, um serviço de inspeção escolar. O inspetor trabalhava na secretaria, na coordenadoria, mas visitava periodicamente as escolas e verificava se os registros escolares estavam corretos e obedeciam à legislação. ...E aquela lista de chamada onde o professor tem que colocar assim: "dia 3 de março, aula de português, crase", "dia 15, aula de português e exercícios sobre a crase". O inspetor escolar também conferia isso, se os registros escolares estavam corretos e se os conteúdos programáticos estavam sendo desenvolvidos adequadamente. A avaliação final, a prova final de cada série era elaborada na Secretaria da Educação e chegava às salas de aula em pacotes lacrados, como chegam as provas do vestibular, ou da Prova Brasil. Só que não era para avaliar a escola, como a gente faz hoje, mas para avaliar o aluno. O aluno, para passar de ano, tinha de passar na prova feita na SEC. E os professores tinham de desenvolver os conteúdos curriculares definidos pela secretaria, porque tinham de preparar seus alunos para passar na prova da SEC."
Queridos leitores, espero que eu tenha me equivocado na interpretação que fiz desse texto. Leia na íntegra aqui. Abaixo, o vídeo do professor Nelson Pretto.

9 comentários:

  1. Olá, infelizmente o blogger não colaborou e o meu longo comentário a respeito do assunto não chegou. Resumindo, falei sobre o sistema bancário de ensino, onde o professor despeja o conteúdo na cabeça das crianças, à força, sem incluir nada no mundo contextual delas, e cobra o mesmo conteúdo na prova, tornando o aprendizado um mero "copiar/colar", ou um tormento sem sentido para os alunos.

    Parabéns pela postagem.

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  2. Excelente postagem!
    Parabéns e uma boa Páscoa.

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  3. Cara Marli, concordo plenamente com o prof. Nelson Preto. Tenho debatido com colegas, amigos e cursistas da importância de o educador do século XXI não se limitar apenas a reproduzir conteúdos já previamente prontos, mas poroduzir conteúdos pedagógicos, levando em conta o conhecimento prévio que alunos e profs. trazem de suas vivências. Acredito na informátca como uma ferramenta de apoio, que nada adiantará se o prof. não tiver didática e metodologia adequadas para o desafio de informar, comunicar e educar. Idéais centralizadoras de saberes, competências e conteúdos já estão ultrapassdas, são coisas do século passado. O moderno e aceitável é a cooperação e compartilhamento de projetos, atividades, idéias e ideais. Parabéns pela postagem, pelo blog, pelo ativismo cultural e educacional. Não li a reportagem da ZH, mas ouvi comentários, e espero também não ter me equivocado quanto a abordagem dada. Vou tentar ler a íntegra. Um abraço e parabéns pelo trabalho. Zé.

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  4. Cara Marli, concordo plenamente com o prof. Nelson Preto. Tenho debatido com colegas, amigos e cursistas da importância de o educador do século XXI não se limitar apenas a reproduzir conteúdos já previamente prontos, mas poroduzir conteúdos pedagógicos, levando em conta o conhecimento prévio que alunos e profs. trazem de suas vivências. Acredito na informátca como uma ferramenta de apoio, que nada adiantará se o prof. não tiver didática e metodologia adequadas para o desafio de informar, comunicar e educar. Idéais centralizadoras de saberes, competências e conteúdos já estão ultrapassdas, são coisas do século passado. O moderno e aceitável é a cooperação e compartilhamento de projetos, atividades, idéias e ideais. Parabéns pela postagem, pelo blog, pelo ativismo cultural e educacional. Não li a reportagem da ZH, mas ouvi comentários, e espero também não ter me equivocado quanto a abordagem dada. Vou tentar ler a íntegra. Um abraço e parabéns pelo trabalho. Zé.

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  5. Querida Marli,
    Não conhecia o Nelson Pretto e já gostei dele! Sempre fui uma professora diferente, mas muito criticada. É muito difícil ser minoria numa escola.
    "Escola é espaço de colaboração,generosidade, solidariedade".Parece utopia!
    Finalmente comprei a Nova Escola e mostrei você pra todo mundo aqui!
    Feliz Páscoa.

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  6. Marli

    Só para lembrar: você sabe o que a mídia gosta de fazer com as palavras, certo?

    Agora, eu não podia deixar de comentar a entrevista com a Marisa. Acredito que no restante da entrevista os dois pontos que você destacou se esclarecem:

    1°) Ela citou o inspetor escolar como um exemplo. A questão das auditorias que ela propõe são mais administrativas do que pedagógicas. E temos que admitir que tem muita coisa sendo feita ‘errada’ porque não há fiscalização do governo. Eu só acho que a SE está tentando reorganizar as coisas.

    Quando ela fala sobre o crescimento da educação nas décadas de 50, 60,... fica bem clara nossa atual situação:

    “A gente expandiu muito o número de alunos. A matrícula deu um salto dos anos 50, 60, até os anos 90, como em nenhum outro país do mundo. Esse crescimento tem duas conseqüências: não cresceu o dinheiro público na mesma proporção, então a educação ficou mais pobre. O prédio escolar, o material didático e o salário do professor. Em segundo lugar, significou colocar para dentro da escola os setores populares, filhos de pais analfabetos ou de baixa escolaridade. Então, a escola ficou muito maior, mais pobre e com uma clientela muito mais diversificada e com dificuldades de aprendizagem.”

    Senão temos mais dinheiro, temos que aproveitar melhor o pouco que temos!!! E o governo tem que fiscalizar sim!

    2°) Quanto a questão da avaliação, acho que essa pergunta esclarece:

    “A exemplo da antiga inspeção, o monitoramento da SEC sobre as escolas vai incluir o conteúdo, o que elas estão ensinando?

    Marisa - Isso é outra discussão que estamos fazendo em âmbito nacional, a necessidade de ter currículos mínimos, algo que a Constituição prevê e nós perdemos. Está solto demais. Saímos da camisa-de-força do currículo único, digamos assim, e ficou solto demais.”

    Não podia deixar passar, né amiga?

    Quanto a entrevista do Nelson, simplesmente sensacional! Quero trazer ele para Caxias, que tal?

    Grande abraço
    E boa semana

    Sintian

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  7. Olá amigos!

    Achei importantíssimo trazer o tema da autonomia do professor, muito bem tratado por Pretto, para ser refletido, porque eu e mais muitos outros professores sentimos "na pele" a dificuldade em escapar das rotinas institucionalizadas nas escolas no que se refere à padronização citada também por ele. Não há como negar que inovar traz um preço e cada conquista realizada nesse sentido nos custa muito de esforço, coragem e persistência. No entanto, sabemos também que é um trabalho de formiguinha, que necessitamos do apoio e incentivo daqueles que tem o poder de fazer mais do que nós, gerenciando as políticas educacionais.
    Querida Sintian!
    É claro que sei bem o que a mídia faz com as palavras, por isso coloquei no final da postagem "Espero que eu tenha me equivocado" e continuo afirmando isso. Não estou criticando pessoas. Estou colocando idéias para serem refletidas, porque enquanto educadora comprometida com a educação cidadã, acho que devo defender e divulgar as idéias pelas quais luto , que você luta e tantos outros colegas, nessa difícil de tarefa de educar. Estou torcendo para que todos nós educadores possamos ter bem presente sempre o nosso compromisso de formar gente e que tenhamos as condições de cumpri-lo.
    Um grande beijo.
    Grande idéia a de trazer o Pretto. De quebra pode trazer também o Moran. E me convida. BJS!

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  8. Amiga, se tiver $$$$ trago os dois!!!
    E vc sempre é convidada especial - sabe disso!!!
    Bjaum

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  9. Por que insistimos com práticas arcaicas e que não contribuem para a formação de cidadãos pensantes?
    Até quando continuaremos atrasados no tempo,desperdiçando gerações inteiras?

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