21 janeiro 2021

Educação Sistêmica




A Educação Sistêmica não é na verdade uma metodologia em si. Ela mostra como muitas das intervenções desenhadas para solucionar problemas na relação escola-aluno-família falham devido ao desconhecimento das leis inconscientes que governam o grupo familiar. Mostra ainda como é possível, através do conhecimento dessas leis, atuar de forma simples e marcante, atingindo os objetivos propostos.

TÍTULO: Educação Sistêmica


"Nenhuma criança é difícil. O sistema é difícil. Algo em sua família encontra-se fora de ordem. A desordem principal de uma família é que alguém foi excluído ou esquecido. O que então uma criança difícil faz? Olha para aqueles que foram excluídos. À medida que os excluídos retornam ao campo de visão, a criança fica desobrigada. (...) Como crianças, os pais também costumavam olhar para alguém. Especialmente os pais que julgamos difíceis são crianças que estão olhando para uma pessoa excluída. Muitas vezes não estão disponíveis para seus filhos, pois olham para a pessoa excluída. 
De que depende, em última instância, também no caso das Constelações Familiares espirituais? Que todos recebam o seu lugar, que aqueles, aos quais foi negado o seu lugar, recebam-no de volta. Assim todos respiram aliviados.
(...) As crianças mais difíceis são aquelas com o maior amor. Muitas vezes, porém, não sabemos para onde estão olhando." - Bert Hellinger

A busca por uma compreensão aprofundada nos casos de alunos que apresentam dificuldades de aprendizagem tais como: dislexia, dislexia de desenvolvimento, disgrafia, hipercinesia, transtorno do déficit de atenção e hiperatividade - TDAH, transtornos neurológicos, transtornos psiquiátricos, dificuldades emocionais, dificuldades familiares, dificuldades de ensinagem, bem como a necessidade de experimentar novas metodologias diante de tal desafio, pede novas abordagens teóricas, para além do tradicional. Encontramos então, a perspectiva sistêmica dentro da psicoterapia e o trabalho de Bert Hellinger; filósofo e terapeuta alemão que iniciou e difundiu pelo mundo a abordagem das constelações familiares. Tal abordagem parte da visão sistêmico fenomenológica, que potencializa o professor a expandir seu olhar sobre o sistema escolar, visando a educação e até mesmo sistemas maiores, além do que acontece no meramente escolar. Incluindo as dificuldades de aprendizagem, os conflitos relacionais, o intra e o extraescolar. Nesta visão, torna-se importante olhar para o fenômeno como "aquilo que se manifesta a si mesmo, de modo que não o parcializa ou o explica a partir de conceitos prévios, de crenças ou de afirmações sobre o mesmo, enfim, de um referencial teórico", como afirmam Martins e Bicudo.

A pessoa é vista como parte do sistema, estendendo a compreensão de sistema enquanto campos mórficos ou morfogenéticos e as dificuldades de aprendizagem como emaranhamentos sistêmicos, padrões de repetição relacionados ao sofrimento existente no "campo", que vão além das representações dos pais e da família do escolar.

A criança que apresenta dificuldades na aquisição e no desenvolvimento da linguagem oral - que envolve a fala e a audição, da linguagem escrita - leitura e escrita, e no conhecimento matemático, está com problemas de aprendizagem e são inúmeras as definições para as dificuldades de aprendizagem, desde as que privilegiam a origem biológica, passando pelo emocional, àquelas que vêem a família como "produtora de sintoma", como afirma Polity.

Panúncio-Pinto discute que quando uma criança apresenta dificuldades na escola isso pode ter muitos significados. Assim, pondera que muito frequentemente o "problema de com-portamento", a agressividade, a timidez, os problemas de aprendizagem e a queda no rendimento escolar são entendidos isoladamente como "problema da criança". É importante pensar que essa criança-aluno é uma face desse sujeito que, além de estar na escola, está também na família, a qual é parte de uma comunidade, que se inscreve num contexto de bairro, de cidade e assim por diante. "Na escola, essa criança traz as marcas de outros contextos, que embora estejam extramuros, se fazem presentes de muitas formas dentro da escola”.

A Educação Sistêmica não é na verdade uma metodologia em si. Ela mostra como muitas das intervenções desenhadas para solucionar problemas na relação escola-aluno-família falham devido ao desconhecimento das leis inconscientes que governam o grupo familiar. Mostra ainda como é possível, através do conhecimento dessas leis, atuar de forma simples e marcante, atingindo os objetivos propostos.

Neste sentido, para pensar uma intervenção nesse terreno dos problemas de aprendizagem torna-se necessário ao Professor ampliar sua visão de mundo, de educação, das dificuldades de aprendizagem e, especialmente, sua visão de família.

A abordagem da pedagogia sistêmica ganhou grande importância com a professora e terapeuta alemã Marianne Franke-Gricksch, que experimenta em sua classe, com alunos adolescentes, os movimentos sistêmicos de Bert Hellinger, além de atender em seu consultório e supervisionar professores e diretores.

CONSTELAÇÃO SISTÊMICA FAMILIAR

Constelação sistêmica familiar é uma transformadora e polêmica abordagem terapêutica de nossa época. Seus paradigmas são sustentados por teorias científicas de vanguarda, tais como o modelo dos Campos Morfogenéticos de Rupert Sheldrake. De uma forma completamente nova e inusitada, essa técnica é capaz de identificar pontos de tensão psicológica ou emocional que condicionam comportamentos humanos e nem sempre revelam suas origens tais como emaranhados e desordens no sistema tratado.

É um trabalho que busca na família a origem de dificuldades, bloqueios, padrões comportamentais que trazem sofrimentos desenvolvidos pelas pessoas ao longo da vida. Destina-se a todas as pessoas que desejam trabalhar suas relações familiares e amorosas, separações, desequilíbrios emocionais, problemas de saúde, comportamentos destrutivos, envolvimento com drogas, perdas e/ou luto, dificuldades financeiras, dificuldades nos relacionamentos, entre outras dificuldades. E no caso da psicopedagogia clínica e institucional, as dificuldades e transtornos de aprendizagem e questões relacionadas ao mau funcionamento da escola, de um modo geral.

Nos sistemas familiares, questões vivenciadas por gerações anteriores, como por exemplo, injustiças cometidas, mortes precoces, suicídios, podem inconscientemente afetar a vida de seus familiares com enfermidades inexplicáveis, depressões, novos suicídios, relações de conflito, transtornos físicos e psíquicos, dificuldade de estabelecer relações duradouras com parceiros, comportamentos conflitantes entre familiares, dificuldades ou distúrbios de aprendizagem, entre outros.

Há duas modalidades de atendimento: a grupal e a individual. No grupo há a participação das pessoas como representantes da família (isto é, do sistema familiar) do cliente. Individualmente, realiza-se a intervenção com o auxílio de figuras ou bonecos, e quando esta intervenção é realizada com crianças, pode ser chamada de jogo da família ou jogo da percepção.

Bert Hellinger descobriu que por amor, lealdade e fidelidade à família, quando algum ancestral deixa situações por resolver, pessoas de gerações seguintes trarão o sentimento e o comportamento, a ação para a resolução dessas situações, "emaranhando-se" e permanecendo, assim, prisioneiros a fatos e eventos pelos quais não são responsáveis e dos quais sequer têm conhecimento. Esta é a herança afetiva, uma transmissão transgeracional de problemas familiares, que acaba criando uma sequência de destinos trágicos.

As constelações atualmente atendem a outros tipos de sistema, organizações de todos os tipos, como empresas, escolas, pois percebeu-se que as leis descobertas por Hellinger atuam em todos os sistemas, não apenas no familiar. Nos sistemas organizacionais, como a escola, por exemplo, questões que envolvem as relações entre professores e alunos, indisciplina, pais e escola, dificuldades de aprendizagem, ou mesmo a melhora nos relacionamentos para uma satisfação e sucesso, são configuradas a partir da trama que se desenrola com os representantes, quando, então, soluções são apontadas.

Dentro dessa abordagem, o conceito de sistema ganha importância fundamental. O sistema pode ser descrito como um conjunto de elementos que permanecem unidos ou vinculados em função de um interesse comum ou de forças que os permeiam. "Os sistemas familiares têm uma força tão grande, vínculos tão profundos e algo tão comovente para todos os seus membros - independentemente de como se comportem com relação a eles (...). A família dá a vida ao indivíduo. Dela provém todas as suas possibilidades e limitações" .

O sistema é regido pela consciência de grupo, ou Grande Consciência, que é mais ampla e está ligada a necessidades do grupo e tem como objetivo a manutenção deste. A pessoa, em sua consciência individual, é impulsionada pelas forças do grupo independente de que delas tenha alguma consciência. É necessário que se olhe para o todo, mas, na verdade, não se tem acesso à consciência do grupo, só é possível observar e perceber o efeito através de seus resultados. Nossa consciência individual atua para nos manter vinculados. Ela manifesta-se quase como uma voz. Essa consciência pessoal é limitada tanto na sua percepção quanto na sua dimensão. Ela se coloca moralmente acima. A razão está na consciência individual.

Nas Constelações Sistêmicas é preciso deixar de lado a consciência pessoal. Para se encontrar a solução, deve-se abandonar a consciência individual e ir além, além inclusive do bem e do mal. O trabalho sistêmico fenomenológico possibilita uma nova percepção, que às vezes nos chega por meio dos sentidos e não neces-sariamente da compreensão e da razão. Ele nos faz olhar para algo, nos permitindo ser tocados por aquilo, mesmo que nossa mente não entenda. Para sair da consciência pessoal e ir para a consciência grupal é preciso deixar de lado crenças, conceitos, verdades e até mesmo a consciência pessoal.

O trabalho com Constelações Sistêmicas nos permite acessar algo que está presente no sistema e que muitas vezes não é compreendido, nem percebido sem se observar o todo. É um trabalho que se ocupa de questões relacionadas a emaranhamentos sistêmicos.

As questões sistêmicas envolvem aspectos factuais da vida do sistema, em geral fatos dramáticos, que causaram desordens, desequilíbrios e que "pedem" reparação como, por exemplo, doenças, depressões, transtornos físicos e psíquicos, suicídios, abortos, mortes precoces, alcoolismo, brigas por herança, entre outros. Estas questões como já foi mencionadas, estão ligadas à consciência maior, que é a consciência coletiva. Esta determina os emaranhamentos e os tipos de sofrimentos individuais.

Quando a pessoa configura sua Constelação, ela entra em contato com uma imagem que em parte é fruto de sua consciência individual e outra é fruto de uma consciência maior que ela não conhece, mas que se manifesta na configuração. A partir dos movimentos que acontecem na Constelação, a pessoa pode criar uma nova imagem e essa nova imagem é que atua dentro do sistema. A imagem inicial é limitada e a imagem final é ampliada.

Quando uma dinâmica é revelada, algo vem à tona. É o ponto mais importante do trabalho. Às vezes é possível dar mais alguns passos e às vezes não, pois para o terapeuta sistêmico, ou constelador, não se trata de alterar ou mudar algo, se trata da busca da força que permeia aquela dinâmica, e encontrar posicionamentos dentro do sistema, ou completar frases que de alguma forma não têm sido permitidos. O primeiro passo, portanto, é a revelação da dinâmica. Depois, o reconhecimento de uma nova ordem. Quando, em uma Constelação, se acompanha a dinâmica dos fatos e se está em sintonia, muitas vezes isso é o suficiente, e em geral não depende de uma compreensão racional. É a possibilidade de se ter um novo olhar para o sistema. No sentido terapêutico, a revelação da dinâmica do sistema é a própria intervenção.

Existem forças que atuam sobre a consciência de grupo. Essas forças são: pertinência, hierarquia e equilíbrio. Quando essas forças não são respeitadas, são criados os emaranhamentos. As consequências do desrespeito às ordens, os efeitos desse desrespeito são o surgimento de doenças, conflitos, sentimentos de infelicidade e, no caso da escola, as dificuldades e os transtornos de aprendizagem e de comportamento. As gerações seguintes (ou quem chega depois) passarão a reproduzir esses efeitos de forma inconsciente.

Um dos aspectos que causa desequilíbrio sistêmico é a pertinência. Segundo a Lei da Pertinência, ninguém pode ficar fora, excluído do sistema; todos os membros têm direito a pertencer. Quando ocorre a exclusão de um dos elementos do sistema, gerações seguintes emaranham-se com este membro, identificando-se com ele, tentando, de algum modo reintegrá-lo. É uma tentativa vã, já que o que move este elemento que veio depois, além da necessidade de compensação, é o amor cego, fantasioso e infantil.

Fatos como mortes precoces, mortes ocorridas com menos de vinte e cinco anos, morte do pai ou da mãe, deixando filhos pequenos, abortos espontâneos ou provocados, mortes durante o parto, suicídios ou tentativas, assim como crimes onde se exclui intencionalmente ou não a vítima ou o agressor, são essencialmente importantes; assim como os assassinatos, as crianças abandonadas, os que utilizam drogas, prostituição, deficiências, entre outros fatos que possam estar ligados a exclusões.

Hierarquia é uma outra Força, à segunda Lei Sistêmica. Ela tem a ver com a ordem nas posições, com o lugar que cada um ocupa. A consciência coletiva, aquela que serve como "vigia" dentro dos sistemas, diz que o todo é mais importante que a soma de suas partes, e pede por "restauração" das infrações. Neste sentido, quando as pessoas estão fora de seus lugares, pode-se olhar para possíveis emaranhamentos, que têm como efeito o sofrimento vivenciado, tanto na família como nas organizações.

As gerações seguintes, inconscientemente, colocam-se a serviço do que aconteceu anteriormente, tentando, por exemplo, corrigir injustiças. Para Hellinger; "sempre que ocorre um acontecimento trágico numa família, uma pessoa em posição posterior violou a hierarquia, arrogando-se o que pertence à pessoas em posição anterior. Esta presunção frequentemente tem um caráter puramente objetivo e não subjetivo". O conflito da família onde filhos se sentem maiores que os pais são tão diversos que vão desde as brigas, xingamentos e desrespeitos mais comuns até aqueles onde filhos não falam mais com os pais, ou que falam tão mal dos pais que agem em sua vida exatamente como eles, sem se dar conta disto. Na escola vemos o desrespeito aos professores, o não reconhecimento do lugar do mestre. E o sofrimento de ambas as partes (alunos e professores), emaranhados com esta ordem sistêmica.

O Equilíbrio é a terceira Força ou Lei presente em todos os sistemas. Há uma necessidade de compensação entre perdas e ganhos, dar e receber, e como uma Lei Sistêmica, ela atua em todos os níveis; consciente ou inconscientemente, tem-se a necessidade de compensação, e às vezes isso ocorre fazendo com que se perca algo, com que se vivencie algo de ruim, mesmo sem a aparente necessidade ou sem se perceber de onde isto vem. É como se houvesse um sentido de equilíbrio. Ele diz se há crédito ou débito com alguém. É quase matemático: se você deu algo, então você espera receber algo também (ainda que não seja na mesma moeda). O outro, por sua vez, sente uma pressão para retribuir, dar também. Se deve algo, há uma pressão para pagar, para devolver, para quitar. Se esta troca for efetiva, produtiva, positiva, a relação será fértil e rica. E isto ocorre tanto no positivo quanto no negativo. A troca equilibra as relações, tornando possível uma convivência longa e saudável. Se, em uma negociação há equilíbrio, então há também liberdade, alegria e portas abertas para próximas negociações. Os dois lados ficam satisfeitos. Caso contrário, uma das partes não se sente bem. E quando há dívida, uma das partes fica presa. A dívida funciona como uma necessidade de pagar algo para que o equilíbrio retorne. Ela (a dívida) muitas vezes atua como um fantasma, retorna, assombra, pode ser transformada em sentimentos de culpa, atuando secundariamente, sem que se perceba sua origem. Os que recebem pouco - injustiçados -, muitas vezes também ficam presos nesse sentimento, que se secundariza, fazendo com que a pessoa se sinta uma vítima eterna, com que transforme sua vida em verdadeira pobreza.

Nos sistemas familiares, é comum a observação de sentimentos de vazio ligados a não receber (tomar) os pais, o que significa que os filhos querem receber apenas o que é bom dos pais, e rejeitar o que não é bom. Para tomar os pais é necessário receber tudo o que eles têm de bom e de ruim. Não é possível selecionar, separar. Muitas vezes os pais estão disponíveis - prontos para se relacionar com o filho apenas como são, com o que têm (não é possível dar aquilo que não se tem). E o filho critica, julga, condena, nega, reclama e simplesmente não recebe, não toma seus pais12. O que traz solução é o bem, o respeito e o amor. Outros tipos de compensação, que na maioria das vezes estão vinculados ao sofrimento das pessoas, não trazem solução, apenas causam mais desequilíbrios sistêmicos.

O campo do cliente, nas Constelações, é configurado com o auxílio dos participantes do grupo, que se colocam como em um teatro, para representar os familiares ou elementos do sistema a ser trabalhado. O cliente posiciona todos os escolhidos para representar as pessoas importantes, segundo o terapeuta, e senta-se, para observar a movimentação que se segue. A representação é parte do fenômeno que ocorre neste tipo de trabalho, onde o terapeuta e os participantes disponibilizam suas percepções para "ver" o que acontece na dinâmica do sistema do cliente. Este "ver" dá-se de diversos modos: as pessoas têm sensações físicas como tremores, arrepios, dores, calor, frio, suores; sentimentos diversos como alegria, raiva, tristeza, desconfiança, entre tantos outros. E há, na maioria das vezes, o reconhecimento pelo cliente do comportamento, dos sentimentos, do modo como a pessoa representada é ou foi na realidade, por vezes com a detecção de sintomas físicos, mesmo não tendo o cliente dado nenhuma informação sobre o que ocorre em seu sistema e sobre as pessoas representadas.

O terapeuta, então, faz a sua leitura do que está física e espacialmente colocado no campo da representação do sistema familiar do cliente e dá o direcionamento que julga adequado ou necessário, buscando não a expressão de sentimentos e sim a ordem sistêmica, segundo as leis sistêmicas, visando a reconciliação e o restabelecimento do fluxo amoroso no sistema. A percepção dos representantes, utilizando a mente expandida é a mesma que o terapeuta utiliza dentro deste campo energético que se abre ao se configurar um sistema. A orientação fenomenológica não permite que o terapeuta seja levado por associações e caracterizações, ou por semelhanças com membros do sistema, como em muitas outras abordagens, especialmente as que trabalham com o psicológico. No trabalho sistêmico, o importante é olhar os acontecimentos essenciais, os fatos, os destinos e as dinâmicas de relacionamentos.

A partir dos movimentos sistêmicos se abre também a possibilidade de movimentos dentro da família e do restabelecimento da ordem e do equilíbrio, o que significa possivelmente a eliminação do sofrimento da pessoa e também de outros elementos do sistema, mesmo que esses estes não estejam presentes no momento da constelação. Isto é o que tem sido observado em depoimentos de inúmeras pessoas que constelaram. Este fenômeno ocorre em função da ressonância mórfica e dos "campos", dos quais fazemos parte.

Outro conceito central para compor a abordagem familiar sistêmica é o "campo". O biólogo Rupert Sheldrakepropõe a ideia dos campos morfogenéticos, que nos auxiliam na compreensão de como os sistemas adotam suas formas e comportamentos característicos. No caso das famílias, padrões de sofrimento que muitas vezes se repetem geração após geração, como os hábitos: cada tipo de sistema possui seu próprio tipo de campo. Os campos mórficos, tal como os campos conhecidos da física, são regiões que se estendem no espaço e se prolongam no tempo, com padrões de influência organizadores potenciais, suscetíveis de se manifestarem fisicamente. São campos que levam informações, campos de memória. O processo pelo qual o passado se torna presente no seio de campos mórficos chama-se ressonância mórfica: Há muitos tipos de campos porque há muitos tipos de coisas e padrões dentro da natureza..

O reconhecimento da existência dos campos morfogenéticos permite que nas Constelações Familiares sejam concebidas as repetições de padrões, pois o modo como foram organizados no passado influencia taxativamente o modo como as pessoas no seio da família funcionam hoje. Há uma espécie de memória integrada nos campos mórficos. E os fatos, os eventos ocorridos na família, por exemplo, podem tornar-se regularidades, "hábitos".

Na intervenção sistêmica fenomenológica de Constelações, há a possibilidade de uma interação inteligente, do acesso em outros níveis energéticos, da consciência e da mudança no sistema, pois o campo mórfico é uma estrutura alterável, a partir do que Sheldrake7 chama de ressonância mórfica e, neste sentido, não apenas o cliente que constela beneficia-se, mas todo o sistema pode beneficiar-se.

REFERÊNCIAS

Franke-Gricksch M. Você é um de nós. Minas Gerais: Atman;2005.

Hellinger B. Ordens do amor: um guia para o trabalho com constelações familiares. São Paulo:Cultrix; 2003.

Hellinger B, Ten Hövel G. Constelações familiares: o reconhecimento das ordens do amor. São Paulo:Cultrix;2004.

 Hellinger B. O amor do espírito na Hellinger Sciencia. Minas Gerais: Atman;2009.

 Hellinger B. Histórias de amor. Minas Gerais: Atman;2007.

Martins J, Bicudo MAV. Estudos sobre existencialismo, fenomenologia e educação. São Paulo:Moraes Ed.;1983.

Minuchin S, Lee WY, Simon GM. Dominando a terapia familiar. 2ª ed. Porto Alegre: Artmed;2008.

Polity E. Aprendizagem e família: construindo novas narrativas. São Paulo:Vetor;2001.

Polity E. Psicopedagogia: um enfoque sistêmico. Terapia familiar nas dificuldades de aprendizagem. São Paulo:Empório do Livro;1998.

 Schneider J, Gross B. Ah! Que bom que eu sei! A visão sistêmica nos contos de fadas. Minas Gerais:Atman;2006.

Sheldrake R. A ressonância mórfica & a presença do passado. Os hábitos da natureza. Coleção crença e razão;1995.

 

Fonte: Portal Educação

https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/iniciacao-profissional/educacao-sistemica/71810

10 novembro 2020

Plataforma de recursos Pedagógicos Twinkl



A Twinkl é uma editora internacional de recursos educativos criada na Inglaterra. É uma plataforma que reúne materiais que podem ser usados dentro e fora da sala de aula , também incluindo conteúdos em português, e com o acesso gratuito, além de inglês, espanhol.

Recebi essa dica da Vitoria Cassola De Lemos, que trabalha por lá, mas é brasileira e, como eu,  gaúcha. 

Normalmente, disponibiliza recursos grátis e também recursos premium - mas em virtude da pandemia do coronavírus que tornou o trabalho dos professores ainda mais complexo, todo o site www.Twinkl.com.br está liberado para quem mora no Brasil. Basta usar o código EDUCARJUNTOSBR, não é preciso inserir nenhum dado de pagamento.Todos os nossos materiais educativos são feitos por professores, e abaixo tem uma amostra do trabalho.

 

Fica o desejo de muita força a todos aqueles que foram afetados pelo Coronavírus e que esse material torne a rotina de quem ensina um pouquinho menos caótica.


P.S. 2: Aqui vão alguns recursos que sempre podem ser usados gratuitamente:

Pacote de demonstração


E alguns recursos que podem ser usados gratuitamente com o código:

03 setembro 2020

Metodologias ativas alinhadas à tecnologia em educação

Autora: Dra Flávia S Belham

Bio: PhD em Neurociências pela University College London, Professora de Ciências e Cientista Chefe da Seneca Learning - a plataforma online gratuita com mais de 4 milhões de usuários.

 

A quarentena fez com que milhares de educadores tivessem que se adaptar ao uso de tecnologia na educação. Por exemplo, uma pesquisa no nosso grupo do Facebook mostrou que ⅔ dos professores usando Google Classroom só começaram a utilizar essa ferramenta após o início da quarentena.

Muitos ainda estão com dúvidas sobre como usar as tecnologias e como passar atividades aos alunos, principalmente atividades que usem metodologias ativas. Por isso, eu e meus colegas criamos uma plataforma gratuita com atividades de todas as disciplinas, usando metodologias ativas e com possibilidade de integração ao Google Classroom!

As atividades são todas interativas e compostas por perguntas e exercícios, para que os alunos estudem de forma ativa, respondendo a desafios e solucionando problemas. Além disso, a plataforma tem um algorítmo que personaliza as atividades para cada aluno, dependendo de como ele vem respondendo. Por fim, todas as atividades são corrigidas automaticamente e os professores recebem um relatório detalhado sobre o progresso de cada aluno.

Conheça mais sobre nosso projeto no nosso site: www.senecalearning.com e se junte aos mais de 200 mil professores que já usam as atividades Seneca com seus alunos de graça. A ideia é nos ajudar durante a pandemia e continuar nos ajudando quando voltarmos à sala de aula.

  





09 agosto 2020

Criação de quebra-cabeças on-line

 Você quer criar uma atividade a partir de uma ferramenta fácil e atraente? Basta selecionar imagens, fotografias , elaborando um enigma com diferentes níveis de dificuldade. Configure, de acordo com as opções disponíveis e compartilhe nas redes sociais, na plataforma de aprendizagem, na sua página, Mas antes configure a privacidade para público.  Esse foi criado no  Jigsawplanet . Mas existem outros sites na web. Exemplo de atividade:

Monte o quebra-cabeças e escreva uma mensagem a partir da imagem formada.  



22 março 2020

Isso foi em março de 2020...



As ruas estavam vazias, lojas fechadas, as pessoas não podiam sair.
Mas o outono não sabia, e as flores começaram a florescer, o sol brilhava, os pássaros cantavam, as andorinhas iam chegar em breve, o céu estava azul, a manhã chegava mais cedo.
Isso foi em março de 2020...
Os jovens tinham que estudar online e encontrar ocupações em casa, as pessoas não podiam fazer compras nem ir ao cabeleireiro. Em breve não haveria mais espaço nos hospitais, e as pessoas continuavam ficando doentes.

Mas o outono não sabia. A hora de ir ao jardim estava chegando, a relva ficava verde.
Isso foi em março de 2020...
As pessoas foram colocadas em contenção, para proteger avós, famílias e crianças. Chega de reuniões, nem refeições, festas com a família. O medo se tornou real e os dias eram parecidos.
Mas o outono não sabia, as macieiras, cerejeiras e outras floresceram, as folhas cresceram.
As pessoas começaram a ler, a brincar com a família, cantando na varanda convidando os vizinhos a fazerem o mesmo, aprenderam uma nova língua, a serem solidários e se concentraram em outros valores.
As pessoas perceberam a importância da saúde, o sofrimento, deste mundo que parou, da economia que caiu.
Mas o outono não sabia. As folhas deixaram seu lugar para a fruta, os pássaros fizeram o ninho, as andorinhas chegaram.

Então o dia da libertação chegou, as pessoas souberam pela TV que o vírus tinha perdido a batalha, as pessoas saiam para a rua, cantavam, choravam, beijando seus vizinhos, sem máscaras nem luvas.
E foi aí que o inverno chegou, porque o outono não sabia. Ela continuou lá apesar de tudo, apesar do vírus, do medo e da morte. Porque o outono não sabia, ele ensinou as pessoas o poder da vida.
Vai ficar tudo bem, fique em casa, proteja-se, e você vai aproveitar a vida. 😍

Autor desconhecido

29 outubro 2019

Educar é semear


O que mais um professor pode querer do que ver brotar a semente que semeou, na esperança de que encontrasse terreno fértil ? É assim que me sinto , realizada, feliz, sempre que me deparo com ex-alunos que conseguem desenvolver suas potencialidades, reveladas e percebidas na sala de aula. Assim acontece com a Hyara, que  conheci ainda na educação infantil e depois reencontrei no 4º ano. Uma menina com grande energia que precisava  ser bem canalizada. A curiosidade e o empenho sempre foram suas marcas.  As palavras ditas  na entrevista do vídeo  acima me  alegram por ver a evolução, a maturidade que muita  gente grande nem tem, o gosto pela literatura   e  saber que pude contribuir  na formação dessa excelente leitora, já ensaiando seus primeiros passos como escritora . Mais que isso, na formação de uma apreciadora da poesia, um gênero textual  que muitos relegam a um segundo plano ou ignoram. 

A importância da poesia dentro das escolas deveria ser repensada. O grande pensador e filósofo Edgar Morin , lembra bem que não apenas através das ciências formais se aprende , mas que a literatura, a poesia podem contribuir em muito para compreender a complexidade humana. "A vida, a meu ver, é polarizada entre a prosa – as coisas que fazermos por obrigação e não nos interessam para sobreviver - e  a poesia – o que nos faz florescer, o que nos faz amar, comunicar." Para ele a felicidade consiste em viver poeticamente. " Felicidade é tentar favorecer tudo o que permita a cada um viver poeticamente sua vida e, se você vive poeticamente você encontra momentos de felicidade, momentos de êxtase, momentos de alegria" Também entendo que poesia não seja apenas um gênero textual, mas um jeito de olhar a vida com mais sensibilidade. E tudo o que precisamos no mundo é de mais  sensibilidade, empatia, educação do olhar que a poesia pode proporcionar. 

Fico pensando sempre na importância do professor mediador . Não basta dizer "faça, leia" , é preciso contagiar com o amor pela leitura, colocando um livro debaixo do braço e compartilhando esse prazer com os alunos. Sempre amei literatura e tenho um amor especial pela poesia. É uma alegria enorme ver as crianças, os jovens compartilhando comigo esse prazer pela poesia. Precisamos de poemas, precisamos de poesia, precisamos de sentimento. 

"Penetra surdamente no reino das palavras. Lá estão os poemas que esperam ser escritos. Estão paralisados, mas não há desespero, há calma e frescura na superfície intacta. Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário. Convive com teus poemas, antes de escrevê-los. Tem paciência se obscuros. Calma, se te provocam. Espera que cada um se realize e consume com seu poder de palavra e seu poder de silêncio." Carlos Drummond de Andrade


Nem sempre somos capazes  de traduzir a poesia em forma de poemas, mas o sentimento que temos, quase sempre pode ser lido por algum poema, de algum poeta conhecido.  Mário Quintana disse: 

"Um bom poema é aquele que nos dá a impressão de que está lendo a gente ... e não a gente a ele!"

Então pego emprestadas as palavras do poeta para expressar meu sentimento. Afinal, ainda como diz o anjo poeta, 

                                                                                                      
Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo como de um alçapão.
Eles não têm pouso nem porto;
alimentam-se um instante em cada
par de mãos e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...

                                                                         Mario Quintana 


Parabéns, Hyara, pelas premiações conquistadas, pelas publicações nas três antologias. Obrigada por me proporcionar essa felicidade!


21 julho 2019

Auguri


Acordar no dia do aniversário e receber um "auguri"(parabéns) vindo do outro lado do mar, diretamente de Bassano Del Grappa, cantado por todo o grupo de Teatro Le Arti Per Via, foi uma emoção ímpar. Só tenho que sentir gratidão à vida, às pessoas que tem colocado no meu caminho. Grata a todos meus amigos italianos, em especial à amiga Natalia. Grata a todos os que de perto ou de longe enviaram felicitações . Viver é um privilégio e cada  instante é uma oportunidade única. 

14 setembro 2018

O casarão da minha infância


Cresci num casarão enorme, aliás, dois. Unidos por um corredor que ligava a cozinha aos quartos. Em casa de italianos, a cozinha precisava de muito espaço para uma mesa comprida, sempre cheia de comida e de filhos ouvindo histórias dos pais e dos nonos. Mas essa parte da casa sucumbiu dando lugar a outra menor. 



O casarão dos quartos resistiu bravamente aos anos até agora, não mais. Cheio de escadas levando ao sobrado, ao sótão , barulhos, fantasmas , janelas abertas deixando passar o vento e o colorido dos pores de sol.






 


 Nas paredes, quadros gastos dos que passaram por ali e se foram. Quantas lembranças do sobrado: dias de chuva no telhado, de noites com estalidos na madeira do assoalho e estrelas mais perto dos olhos, passos se arrastando pelos corredores, tombos escada abaixo. As lembranças do casarão da minha infância morarão sempre em mim.



 


13 junho 2018

O guia completo para os pais que querem proteger os seus filhos na Internet

Recebi  por e-mail a sugestão de publicação desse desse guia, publicada no blog VPNMentor. Considero de  alta importância o conteúdo, pois  nossas crianças, em idade de estar se socializando com as demais, já estão online, muitas vezes sem acompanhamento dos pais. Por isso, especialmente para estes  creio ser de muita utilidade. 

Introdução

Atualmente, vemos notícias sobre o impacto da tecnologia nas nossas vidas diárias o tempo todo. Muitos de nós começamos a pensar sobre como a tecnologia nos afeta pessoalmente. Mas quantos de nós já parou para pensar sobre como isso afeta os nossos filhos?
85% das mães disseram que usam tecnologia para manter os seus filhos ocupados.
As crianças estão ganhando o seu primeiro dispositivo compatível com a Internet cada vez mais cedo. Esse mesmo estudo mostrou que 83% das famílias americanas possuem tablets e 77% possuem smartphones.
Até mesmo na escola, a tecnologia é abundante. Os professores passam tarefas para casa que exigem pesquisa e ferramentas online, bem como uso de aplicativos para gerenciar essa tarefa para casa.
A tecnologia está sempre se adaptando e chegou para ficar, mas muitos não pensam sobre o risco de segurança em termos de segurança cibernética. Um estudo recente revelou uma estimativa surpreendente: 68% dos pais nunca verificam a atividade online dos seus filhos. E essa atividade online aumenta a cada ano.
Para muitas crianças, o mundo online é mais real do que o mundo real. É crucial para o bem-estar dos nossos filhos que entendamos o que eles veem online, o que está lá fora, tanto bom como ruim, e como ele afeta o seu bem-estar físico e emocional.
O problema, como muitos de nós admitiremos ansiosamente, é que sentimos que realmente não entendemos o mundo online. Instagram, Snapchat e Twitter são desconcertantes o suficiente, sem mencionar o 4chan e o TOR. Além disso, não achamos que temos as habilidades técnicas para navegar neste ambiente complexo.
A boa notícia é que não é tão difícil usar determinados controles técnicos para proteger os seus filhos online. Mais importante ainda é que a melhor coisa que você pode fazer para proteger os seus filhos é conversar com eles. Defina limites claros para o que e quando eles acessam online, mas também esteja disponível para os seus filhos quando cometem um erro, ou quando tiverem ido longe demais. A parentalidade não se resume fundamentalmente a isso?
Neste guia abrangente, descrevemos oito áreas nas quais você deve prestar atenção ao navegar neste complexo mundo online. Dependendo das idades dos seus filhos, nem tudo será aplicado a você. Pense nisso não apenas como diretrizes para o que você deve fazer agora, mas para o que você deve prestar atenção à medida que os seus filhos crescem.

1.  Celulares e aplicativos

De acordo com a pesquisa de consumidor da Influence Central, a idade média na qual as crianças recebem o seu primeiro smartphone é aos 10 anos de idade. Dar a seu filho um smartphone traz inúmeras vantagens. Um telefone é uma excelente ferramenta de segurança. O seu filho pode usá-lo para que você saiba que eles chegaram em segurança ao seu destino, chamá-lo para pedir carona ou ligar em caso de emergência. Você também pode usar o GPS no telefone dele para rastrear a sua localização. Saber que você sempre pode falar com o seu filho é uma grande paz mental para um pai.
Os smartphones, no entanto, também podem ser mal usados, e em algumas situações podem deixar as crianças vulneráveis. Como os smartphones são dispositivos pessoais, muitas vezes não sabemos o que nossos filhos fazem com eles ou como eles os usam.
Se você estiver pensando em dar ao seu filho um smartphone, ter diretrizes claramente delineadas antes ajuda para que todos fiquem em sintonia. Se o seu filho já tiver um smartphone, não é tarde demais rever as regras da família. Demonstre para ele que ter um smartphone é uma grande responsabilidade.
Implemente regras de uso do smartphone com o seu filho. Ao garantir que seus filhos envolvam você nas atividades ao telefone, você estará ajudando a mantê-los em segurança.
Há muitas precauções que você pode tomar para implementar a segurança do telefone:
  • Peça ao seu filho que assine um contrato de smartphone antes de lhe dar um. Imprima uma lista de regras de celular e coloque-a em um local público na sua casa.
  • Baixe os controles parentais. Os aplicativos de controle parental para crianças menores permitem limitar o uso do seu filho, determinar a sua localização e monitorar as suas chamadas e mensagens. Os aplicativos também permitem que você desligue certas funções em diferentes horas do dia. Por exemplo, desativar as mensagens de texto enquanto ele estiver dirigindo.
  • Defina os limites quando o seu filho pode usar um smartphone e por quanto tempo durante o dia.
  • Defina um exemplo pessoal para o seu filho. Não traga o seu telefone para a mesa de jantar e não envie mensagens enquanto dirige.
  • Estabeleça uma estação de carregamento em uma localização central na sua casa. Os telefones devem ficar fora do quarto do seu filho e eles não serão usados tarde da noite.

2.  Streaming de conteúdo e Smart TV

Nós gostamos de relembrar os momentos em que toda a família se reuniu ao redor da TV para assistir algo saudável juntos. (Na realidade, muitos de nós provavelmente possuímos uma televisão nos nossos quartos e passamos muitas horas assistindo a TV sem muita orientação de nossos pais.)
Dito isto, o conteúdo de streaming disparou em popularidade, e há mais programas de TV e filmes disponíveis ao nosso alcance do que nunca. Mas a maioria deles não é particularmente apropriada para crianças.
No entanto, ha algumas ótimas vantagens dos serviços de streaming. Muitos apresentam excelente programação educacional e documentários para crianças. A maioria não mostra nenhum anúncio, o que significa que os seus filhos não serão bombardeados com mensagens de publicidade por todos os lados, da mesma forma como são quando assistem a TV normal. Você pode abrir um mundo inteiro para os seus filhos com conteúdo em streaming contínuo – a chave é como usá-lo.
A maioria dos grandes provedores de conteúdo de streaming tem controles parentais, alguns mais robustos do que outros. A Netflix permite configurar perfis separados para você e para os seus filhos.
Usando essas ferramentas, você pode garantir que os seus filhos só tenham acesso a conteúdos adequados à idade deles. Como o menu infantil da Netflix possui um esquema de cores diferente do menu normal, você pode facilmente ver se os seus filhos acessam o conteúdo permitido ou não. No entanto, isso não impede que as crianças mudem para o seu perfil, por isso, você ainda precisa estar vigilante.
O iTunes e a Apple TV permitem que os pais estabeleçam níveis de classificação para o conteúdo ao qual os seus filhos assistem. Pelo contrário, a Amazon Prime não possui controles parentais, por isso, a única coisa a fazer é sair da sua conta e não compartilhar a senha.
No entanto, todas essas ferramentas não substituem as conversas frequentes com os seus filhos sobre o que eles assistem.
Monitor TV time infographic
Monitore o tempo passado em frente à TV, limitando o número de horas que eles assistem por dia, incorporando configurações dos pais, conversando com seu filho sobre o conteúdo que ele assiste, e passando o tempo em frente à TV juntos, em família.

3.  Consoles de jogos e jogos online

De acordo com o Grupo NPD, 91% das crianças americanas de dois a 17 anos jogam videogames. Os consoles de jogos têm sido um foco de medo e preocupação para muitos pais. Com tantos jogos com conteúdo violento ou de teor sexual, é importante ter cuidado com os tipos de jogos que os seus filhos estão jogando.
Além disso, os jogos de console que possuem um componente multiplayer, ou jogos totalmente online, estão abertos ao abuso de outros jogadores. Muitos jogos permitem que jogadores de todo o mundo conversem uns com os outros, expondo potencialmente as crianças ao assédio e ao bullying cibernético. As crianças também podem formar relacionamentos com outros jogadores e podem distribuir as suas informações pessoais.
Os jogos também são um ótimo caminho para as crianças desenvolverem uma variedade de habilidades. Eles ajudam as crianças a desenvolver habilidades de resolução de problemas, aprender a se comprometer com metas de longo prazo e como trabalhar como parte de uma equipe. Eles também podem ser uma ótima oportunidade para a ligação familiar. Felizmente, a maioria dos consoles de jogos fornecem controles parentais robustos, para que os pais possam monitorar o jogo dos seus filhos.
Monitor and encourage safe play infographic
Incentive os seus filhos a discutir os jogos que eles jogam. Verifique se o seu perfil filho está definido como privado. Considere manter o console de jogos em um espaço social compartilhado. Estude a classificação de idade dos jogos. Use os controles parentais para configurar os perfis. Limite o tipo de pessoas com quem o seu filho pode falar online.

4.  Mídias sociais

Embora o formato tenha mudado, os pais têm se preocupado com os programas de televisão e os videogames de seus filhos há anos. A mídia social, por outro lado, é uma nova preocupação.
O uso de mídia social agora é onipresente entre os adolescentes dos EUA: 71% utilizam mais do que uma plataforma social. As crianças hoje em dia também gastam uma enorme quantidade de tempo nas mídias sociais. Uma pesquisa do grupo sem fins lucrativos Common Sense Media mostrou que crianças de 8 a 12 anos de idade estavam online seis horas por dia, em grande parte em plataformas sociais, e crianças de 13 a 18 anos de idade, nove horas!
De acordo com um recente estudo da Harvard, apesar de a maioria das plataformas de mídias sociais exigir que os usuários tenham 13 anos de idade para se inscrever, 68% dos pais entrevistados ajudaram as crianças menores a criar uma conta.
As mídias sociais podem ser particularmente viciantes para pré-adolescentes e adolescentes. Elas também abre a porta para uma variedade de questões diferentes, como bullying cibernético, compartilhamento inadequado e conversas com estranhos (veja mais abaixo).
O acesso às mídias sociais também é fundamental para o desenvolvimento da identidade social dos adolescentes. É a forma como eles se conectam aos seus amigos, e pode ser uma maneira saudável de conviver com outras pessoas. A chave é descobrir alguns limites para que continue sendo uma experiência positiva.
Safe rules for social media infographic
Imponha um ambiente seguro. Não deixe seus filhos nas mídias sociais até eles terem idade suficiente. Mantenha o computador em um local público. Limite a quantidade de tempo gasto nas mídias sociais. Bloqueie o acesso à localização de todos os aplicativos. Ajuste as configurações de privacidade. Monitore a atividade online do seu filho.

5.  Bullying cibernético

A vida de nossas crianças se mudou para o ambiente online. Infelizmente, os bullies se mudaram para o ambiente online também.
O bullying cibernético está frequentemente nas notícias, com relatos de suicídios adolescentes devido ao assédio online.
O bullying cibernético ocorre em todas as plataformas que descrevemos acima, e vem de várias formas: propagando de rumores e envio de mensagens ameaçadoras através de mídias sociais, mensagens de texto ou e-mail, fingindo ser outra criança e publicando material embaraçoso com o seu nome, encaminhando fotos privadas sem consentimento e geralmente publicando online sobre outra criança com a intenção de humilhá-la ou degradá-la.
O bullying cibernético é particularmente prejudicial porque ele é muito público. No passado, se uma criança tivesse sido atacada no parquinho, talvez alguns dos seus colegas teriam visto. Agora, a informação mais privada de uma criança pode ser espalhada pela Internet e existir de forma permanente, a menos que seja denunciada e retirada.
O ciberbullying pode afetar negativamente a reputação online não só da vítima, mas também do agressor, e ter um impacto profundo no futuro dessa criança, incluindo admissões na faculdade e emprego.
Também é extremamente persistente. Se uma criança for alvo de bullying tradicional, a sua casa é mais do que nunca um lugar de refúgio. Uma vez que as plataformas digitais estão constantemente disponíveis, as vítimas do bullying cibernético têm dificuldade em encontrar alívio.
Muitas vezes, é muito difícil dizer se seu filho está sendo atacado online. Isso acontece online, por isso, os pais e os professores têm menos probabilidades de ouvir ou notar isso. Menos da metade das crianças que sofrem bullying online dizem aos pais ou a outro adulto o que estão passando, de acordo com a organização de segurança na Internet i-SAFE. Na verdade, de acordo com uma pesquisa do governo dos EUA, 21% das crianças com idade entre 12 a 18 anos sofreram bullying e cerca de 16% sofreram bullying online.
A melhor forma de evitar bullying cibernético ou de impedi-lo é estar atento ao comportamento do seu filho. Uma série de sinais de alerta podem ser apresentados.
Uma criança que é intimidada pode desativar a sua conta de mídia social e abrir uma nova. Ela pode começar a evitar situações sociais, mesmo que gostasse de ser sociável no passado. As vítimas (e perpetradores) de bullying cibernético muitas vezes escondem a sua tela ou dispositivo quando outras pessoas se aproximam e se tornam reservadas sobre o que fazem online. Eles podem se tornar emocionalmente angustiadas ou introvertidas.
Cyberbullying infographic
Fale com o seu filho sobre o bullying cibernético.

6.  Privacidade e segurança da informação

Como pais, estamos muito preocupados com o efeito do mundo online sobre o bem-estar emocional e físico de nossos filhos. As crianças são suscetíveis a ameaças à segurança da informação que podem causar danos financeiros. Essas são exatamente as mesmas ameaças que os adultos enfrentam: malware e vírus, golpes de phishing e roubo de identidade.
A questão é que as crianças são muito menos experientes e geralmente são muito mais confiantes do que os adultos. Para as crianças, compartilhar as suas informações pessoais, como seu nome completo ou onde elas vivem, pode não parecer algo importante. Elas podem até ser enganadas por um terceiro malicioso para compartilhar as informações do seu cartão de crédito.
Há várias formas pelas quais os hackers e ladrões podem obter informações de crianças. Jogos grátis de download, filmes ou até mesmo toques de celular que se comercializam para crianças podem colocar vírus no seu computador e roubar as suas informações.
Os hackers que se apresentam como empresas legítimas como a Google enviam e-mails que pretendem pedir a senha do seu filho. Ou eles podem se apresentar como um dos amigos de seus filhos.
O que você deve dizer ao seu filho?
  • Tenha uma conversa com os seus filhos sobre as grandes ameaças online hoje. Certifique-se de que eles saibam o que parece um ataque de phishing e um site de jogos desonestos. Dessa forma, eles saberão como não cair nesses golpes.
  • Certifique-se de que eles mantenham todas as suas informações privadas e de que nunca publiquem o seu nome completo, número de telefone, endereço ou escola que frequentam em um lugar público.
  • Fale com os seus filhos sobre senhas. Ter uma senha forte é a primeira e melhor medida para evitar invasões e roubos de identidade. Usar um gerador de senha segura como aquele que criamos é ótimo para esta ocasião, e experimentar senhas em conjunto é uma forma divertida de garantir que a senha do seu filho seja tão forte quanto possível.
  • Diga a seus filhos para evitar o uso de Wi-Fi pública – esta é uma forma fácil para os hackers entrarem em seus dispositivos.
O que você pode fazer para criar um ambiente seguro:
  • Instale um forte programa antivírus no seu computador doméstico e nos dispositivos de todos os membros da família.
  • Pense em instalar uma VPN no seu computador. Uma VPN, ou rede privada virtual, criptografa a sua conexão e torna anônima a sua navegação na Web. Isso torna muito mais difícil para os hackers acessarem e roubarem as suas informações privadas.
  • Se você e os seus filhos usam muitos dispositivos diferentes ao redor da casa, considere instalar uma VPN no seu roteador. Dessa forma, todo o tráfego de Internet que atravessa o roteador será protegido, sem a necessidade de instalar a VPN em todos os dispositivos.
  • Instale um bloqueador de anúncios para que os seus filhos não tenham que enfrentar publicidade enganosa que os encoraje a baixar programas maliciosos no seu computador.
  • Se os seus filhos tiverem smartphones, certifique-se de que as suas configurações de segurança estejam definidas no máximo.

7.  Visualizar conteúdos inapropriados online

Como a Internet é tão aberta e pública, também é um lugar onde as crianças podem acabar esbarrando em conteúdo destinado a adultos, conteúdo que elas podem achar perturbador, confuso ou angustiante. “Conteúdo inapropriado” pode significar muitas coisas para muitas pessoas diferentes, desde palavrões a violência, até conteúdo de teor sexual.
Não é fácil, mas, por fim, você terá que conversar com os seus filhos sobre o que eles podem ver online. Muitas crianças não recorrem aos pais quando veem algo que talvez elas não devessem ter visto por medo de que os seus pais fiquem bravos com eles e tirem os seus dispositivos ou acesso à Internet.
Se o seu filho chegar a você com esse tipo de problema, a melhor coisa a fazer é responder com calma e estar aberto a discussão. Se o conteúdo em discussão for sexual, o seu filho provavelmente já ficará envergonhado, principalmente quando conversa com os seus pais sobre esse tipo de questões. Deixe-os saber que você está lá para eles e está pronto para responder a qualquer pergunta sem julgamento.
Os jovens podem ver conteúdo sexual online por todos os tipos de razões. Eles podem ter visto por engano, um amigo pode ter enviado para eles ou eles podem ter procurado por curiosidade natural.
Isso ajuda muito a conversar com os seus filhos com honestidade e franqueza sobre sexo, e uma discussão sobre pornografia online é uma parte crucial. Muitas pesquisas mostraram que a pornografia pode ter um efeito prejudicial sobre os jovens, dando-lhes noções distorcidas e pouco saudáveis ​​sobre o sexo. A pornografia também pode levar as pessoas a pensar nos outros como objetos, em vez de pessoas com pensamentos e sentimentos. Ao mesmo tempo, é totalmente normal estar curioso sobre sexo e relacionamentos. Esta conversa é uma ótima oportunidade para direcionar os seus filhos para recursos positivos sobre a sexualidade.
Há também uma série de etapas que você pode seguir para tentar evitar que os seus filhos sejam expostos a conteúdo para os quais não estejam preparados, como configurar controles parentais na sua conexão com a Internet. Lembre-se, porém, de que as correções técnicas não podem substituir a comunicação aberta com seu filho.
Converse com o seu filho:
  • Deixe os seus filhos saberem que eles sempre podem vir até você se algo estiver incomodando, ou se eles tiverem dúvidas sobre qualquer coisa que tenham visto online.
  • Deixe-os saber que é totalmente normal estar curioso sobre o sexo. Direcione-os para recursos online positivos como o Brooke o Thinkuknow. O Thinkunow é particularmente bom para crianças mais novas, e inclui diferentes sites adequados à idade para diferentes faixas etárias. Você pode achar útil examinar o site em conjunto e discutir alguns dos problemas.
Passos que você pode dar para bloquear conteúdo inapropriado:
  • Defina filtros para bloquear conteúdos inadequados, como a pornografia.O seu ISP (provedor de serviços de Internet) deve fornecer controles parentais gratuitos, assim como a maioria dos consoles de jogos. Eles geralmente são bastante fáceis de configurar.
  • Defina o Google para o modo “Seguro” para que os seus filhos não vejam inadvertidamente conteúdo inapropriado nos resultados da pesquisa.
Instale um bloqueador de anúncios para evitar vírus que possam ter conteúdo inapropriado

8.  Predadores online

Na nossa última seção, demos uma olhada na ameaça online mais obscura e assustadora de todas: os predadores infantis online. De acordo com o Departamento de Justiça dos EUA, 13% dos jovens com acesso à Internet foram vítimas de avanços sexuais indesejados e uma a cada 25 crianças receberam convites para contato offline.
Os predadores se envolvem em uma prática chamada “preparação”. Em outras palavras, eles tentam criar um relacionamento com uma criança com a intenção de abusar dela.
A Internet tornou a vida muito mais fácil para predadores infantis. Os predadores escolhem as suas vítimas através de qualquer meio online: mídia social, e-mail, mensagens de texto e outros. No entanto, o método mais comum é através de salas de chat online. 76% dos encontros online com predadores sexuais começaram em salas de chat.
13% of kids with internet access are victims of sexual advances
  • Muitas vezes, os predadores criam múltiplas identidades online, fingindo serem crianças para enganar as crianças e assim conversar com elas. Eles descobrem o máximo possível sobre as crianças que estão buscando através de pesquisas nos perfis de mídia social delas e o que elas dizem nas salas de chat.Eles podem entrar em contato com uma série de crianças ao mesmo tempo, mas tendem a concentrar os seus esforços nas mais vulneráveis. Esses predadores não estão satisfeitos em apenas conversar com as crianças online. Eles frequentemente enganam ou coagem as suas vítimas para atividade sexual online, via webcam ou enviando imagens sexuais. Eles também podem tentar encontrar e abusar das vítimas pessoalmente.
    Nem sempre é fácil saber se uma criança está sendo assediada, especialmente porque a maioria mantém isso em segredo dos seus pais. Há uma série de sinais de alerta: as crianças que estão sendo assediadas por predadores podem se tornar muito secretas, porque o predador frequentemente ameaça a criança a não compartilhar informações com os seus pais ou amigos. As crianças também podem ficar tristes e introvertidas, distraídas e ter mudanças de humor repentinas. É absolutamente importante que o seu filho saiba que ele pode contar com você e que pode conversar com você sobre qualquer coisa.
    O que você deve dizer ao seu filho?
    • Tenha uma discussão com seu filho sobre os riscos de predadores online. Certifique-se de que eles saibam como ter cuidado com quem conversam online e não compartilhar informações pessoais com estranhos.
    • Diga a seus filhos que eles podem falar com você sobre qualquer problema, não importa o que seja.
    • Pense em trabalhar com algum conteúdo educacional com os seus filhos relacionado a este tópico, como os excelentes vídeos do Thinkuknow.
    Se você acha que seu filho está em risco, busque apoio da sua escola, um assistente social e a polícia.

Conclusão

Existem muitas ferramentas técnicas diferentes disponíveis para ajudá-lo a manter os seus filhos seguros online. Eles vão de VPNs e software antivírus a filtros de Internet e controles parentais. Mas nada disso é realmente suficiente para ajudar a proteger seu filho.
Como repetimos várias vezes neste guia, a chave não é dominar um conjunto de ferramentas técnicas complicadas. (Na verdade, a maioria é muito fácil de configurar, portanto, não deixe a falta de habilidade técnica detê-lo). Isso também não significa que você tem que dominar a última tendência da Internet toda vez alguma surgir – acredite em nós, você nunca vai conseguir fazer isso!
A tarefa muito mais importante, mas também muito mais difícil, é ter conversas frequentes, abertas e honestas com os seus filhos sobre as suas vidas. Lembre-se, as empresas de Internet, as redes de mídias sociais, os provedores de jogos e todos os outros no espaço online podem ajudá-lo a definir limites de conteúdo, mas eles não têm necessariamente preocupações sobre a segurança do seu filho.
A melhor pessoa para manter o seu filho seguro online é você. Falar sobre como ficar seguro na Internet é um excelente canal para construir um relacionamento confiável e positivo com o seu filho.
A segurança na Internet precisa ser uma prioridade para todos os pais e cuidadores. Se você achou este guia útil, considere compartilhá-lo com amigos e familiares no Facebook e Twitter.