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13 janeiro 2018

A escravidão da tecnologia


Os tempos  atuais estão bem representados nessas  imagens. Não podemos crucificar as tecnologias  pelo comportamento inadequado das pessoas. Lembro  de Frankenstein que criou um monstro em laboratório e depois o criador passou a ser perseguido pela sua criatura. Fazendo uma analogia, a tecnologia é objeto de criação do homem e parece que invés deste dominá-la, exercer controle sobre ela, ocorre muitas vezes o contrário. Cabe uma reflexão, para que saibamos ter o controle nas mãos , fazendo dessa maravilha, a tecnologia, uma aliada para aproximar , humanizar e não o contrário. 

15 outubro 2016

OS PRIVILÉGIOS DO PROFESSOR



        Dia desses li na internet que o governo federal comentou que os professores tem muitos privilégios e que isso seria um dos fatores que agrava a crise econômica do país. Não cheguei a perder meu tempo buscando a veracidade da declaração, mas supondo que seja verdadeira, concordo “em parte”.
        Sim, os professores tem privilégios que nenhuma outra profissão tem. Eu disse “profissão”. Não nascemos professores. Nos “formamos” professores com muito estudo e preparação diários. Temos privilégios, sim senhor. O maior deles é o “poder” que temos de construir pessoas através do conhecimento e da esperança que plantamos nos corações. Temos o privilégio de ter uma plateia todos os dias que nos recebe com sorrisos, beijos, abraços. Recebemos bilhetinhos amorosos, com desenhos de corações, com dizeres do tipo: te adoro, você é linda.  Temos o privilégio de sermos recebidos na porta do carro quando chegamos à escola e de termos nossa bolsa carregada até a sala de aula. Somos os confidentes. Ouvimos segredos, piadas, descobrimos talentos que ninguém ainda viu: futuros poetas, médicos, jogadores de futebol, artesãos, cientistas, engenheiros e por aí vai... Somos contaminados com a alegria e energia das crianças e jovens que enche a escola e a nossa alma, nos fazendo também jovens de espírito. Somos cumprimentados na rua, na loja, na Igreja, na padaria, por onde passarmos,  simplesmente com um carinhoso “Oi, profe”. Uma vez profe, somos profe para toda a vida, jamais esquecidos. Temos o privilégio, senhores governantes, de educar o olhar e ensinar a ver a verdade das coisas. De formar pensadores, livres e protagonistas.
    Mas também temos junto com os ônus, os bônus. Não basta um diploma da faculdade. Precisamos constantemente de atualização. Precisamos estudar, pesquisar novas ferramentas e metodologias. Preparar as aulas muitas vezes de madrugada, caindo de cansaço, sacrificar finais de semana, abrir mão de festas ou de ver um filme, comendo pipoca. Muitas vezes temos que deixar de dar atenção maior a nossos próprios filhos porque o tempo é sempre curto para tantas atividades. Sentimos dores terríveis nos pés, na cabeça, desenvolvemos tendinites. Lidamos com situações que muitas vezes nos levam ao stress e à depressão. E quando precisamos ir ao médico não é fácil achar quem nos substitua. Precisamos fazer malabarismos com o salário (que nos últimos tempos vem parcelado). Professor precisa estar bem vestido, bem informado, viajar e adquirir cultura constantemente. Isso custa. Professor precisa de férias, sim. Descansar a cabeça e o corpo para retomar com muita energia um novo ano escolar. Será que tem alguém que acha que é demais as férias do professor? Será que também acham que é demais o trabalho que levamos para fazer em casa, além das horas remuneradas?

    Somos professores. Formamos todas as profissões. Ensinamos a pensar e lutamos para ensinar pessoas  a transformar, principalmente uma sociedade excludente, onde apenas uma minoria desfruta de “certos privilégios” e teme perdê-los. 

16 abril 2016

Temos Muito a Temer

       Como cidadã engajada, pessoa espiritualizada e acima de tudo como educadora comprometida não posso me furtar de deixar registrado o meu temor nesse momento dramático que vivemos em nosso país. 
       Tenho convicção do projeto de mundo que defendo, em que a todos é dado direito a  ter vez e voz , numa sociedade igualitária, que respeite as diferenças. Não vejo sentido em nada que se distancie desse ideal de vida.  É por isso que olho com muita apreensão aos acontecimentos relacionados  ao processo de impeachment da Presidência da República, defendido por um grupo de políticos sem idoneidade moral para tal ação, com pretensão de assumir o poder. Isso, no mínimo, é uma incoerência, pois  muitos dos que acusam o atual governo de crimes , são comprovadamente criminosos.  Independente do erros do governo atual, não me vejo representada por esses que querem substituí-lo. 
     Não temos e provavelmente nunca teremos uma sociedade ideal, com todos os problemas resolvidos e todas as necessidades atendidas, mas há prioridades, que devem ser os menos favorecidos. Isso  já foi dito há mais de dois mil anos atrás por Jesus Cristo, No Qual oriento minha fé. Não podemos perder isso de vista e deixar que as conquistas sociais retrocedam O país passa por dificuldades,  está inserido numa crise econômica mundial, e para piorar a corrupção  deteriorando o meio político como um TODO, e não é  só de hoje. Não sejamos ingênuos. Numa democracia, os crimes de corrupção são investigados, numa ditadura, são engavetados. Que TODOS os corruptos sejam julgados,  porém "com o mesmo peso e medida".
     Como ainda estamos numa democracia, qualquer um pode discordar dessa minha posição. Eu defendo  os direitos humanos. 
         Oxalá meu temores não se concretizem,  a paz e o entendimento  possam prevalecer. 

30 setembro 2015

Sinais



Um arco-íris sobre minha escola. Um sinal de esperança que não pode morrer na educação. Minha esperança está nas crianças, que um dia poderão mudar o que temos na sociedade de hoje . É para isso que trabalho. Essas crianças que no meio da tarde , do nada, te dizem "profe, eu te amo" ou "profe, sabia que você é legal?" . Essas crianças que passaram por ti faz anos e correm ao teu encontro nos corredores do colégio para dar abraços e dizer " que saudade" . Essas crianças quepedem para serem amadas, que trazem depoimentos às vezes tristes, de descaso e desatenção que a escola precisa preencher, muito além de conhecimentos. Não somos só professores. Somos diariamente psicólogos, enfermeiros, contadores de histórias, mágicos e por aí vai... Infelizmente perdi a esperança de mudanças em certas pessoas bem grandinhas. Essas que são capazes de se voltar contra os professores. Esses mesmos professores que lutam não simplesmente por salários(que são um direito) , mas por uma sociedade justa, digna e livre de mentes colonizadas. Minha esperança são as crianças e sempre vou acreditar que a mudança é possível, senão estarei morta, embora existindo.

04 setembro 2015

Tempos bicudos


Tudo na vida pode ser visto de vários pontos de vista, pode servir para o bem ou para o mal, até mesmo uma crise. Não saberíamos o valor do bem, se não houvesse o mal, nem o bom da alegria, sem experimentar a tristeza. Não buscaríamos soluções criativas, se não houvesse o aperto. Não aprenderíamos a valorizar o que temos se não sentíssemos a falta ou o risco da perda. Mas ninguém gostaria de aprender nada pela dor, se podemos aprender pelo amor. 
Os últimos tempos e acontecimentos estão me trazendo um sentimento de desalento. Divergências são saudáveis, mas o que se vê não são diálogos, só ódio. Não há ponderação, apenas extremismos. Não há compaixão com o outro, cada um olhando só o próprio umbigo. Numa crise assim a gente aprende também a conhecer as pessoas. Saber quem é quem. E a desilusão toma conta de mim ao ler tantos pensamentos pequenos. 
Não seria melhor mudar o foco para a busca de soluções em vez de apontar culpados? E soluções justas, que beneficiem todos e não só alguns? Eu quero uma luz no fim do túnel. Eu quero manter a esperança, entrar na sala de aula, ajudar a construir seres humanos melhores, acreditar na mudança possível e no final do mês receber o que mereço pelo meu trabalho, assim como todos tem o direito. Eu quero ver as pessoas sendo respeitadas na sua dignidade. Ver o dinheiro público no lugar certo, não nas mãos de poucos que se adonam do que não é seu. Que sociedade é essa em que políticos eleitos para servirem o povo se apropriam dos bens comuns e ainda conseguem fazer com que esse mesmo povo brigue entre si para defendê-los? Estamos vivendo uma guerra .Guerra que mata com tiro, com o trânsito, com os nervos. Tempos duros, em que pouco se vê de humanidade entre os que se dizem humanos.

04 maio 2014

Copa do Mundo e Cidadania

       

        A Copa do Mundo, para grande parte dos brasileiros, sempre foi aquele evento muito esperado, que merecia televisão nova, feriado obrigatório, milhares de pequenas torcidas organizadas e treinadores escalando o time ideal. Durante o jogo do Brasil, o que estava em jogo para os apaixonados era apenas a alegria ou a frustração do resultado final. Entretanto, a Copa do Mundo de 2014 no “País do Futebol”, que era para ser motivo de euforia, está gerando uma onda de protestos nas ruas, trazendo à tona a precariedade da saúde, educação, segurança dos brasileiros, em contraste com os altos investimentos do dinheiro público destinados ao evento . 
        Obviamente o maior espetáculo esportivo do mundo vai trazer visibilidade ao país e o empenho do governo está em passar uma boa imagem, a fim de atrair futuros investimentos estrangeiros e turistas. Para isso, investiu bilhões do dinheiro de impostos nas cidades sede dos jogos. A maior parte dos recursos foram aplicados na construção de estádios moderníssimos, o que provavelmente elevará o preço dos ingressos, elitizando o esporte do povo. Enquanto isso, doentes morrem nos corredores dos hospitais, crianças nascem nas calçadas em frente a maternidades, a violência prolifera, as escolas estão sucateadas e os professores não recebem o piso mínimo nacional previsto em lei, sob alegação de falta de recursos. 
         As obras seguem num ritmo acelerado, para atender às exigências da FIFA, enquanto o povo aguarda há anos por alguns direitos constitucionais, entre eles a segurança. No caso das favelas do Rio de Janeiro, o narcotráfico tomou conta por muito tempo. Mas somente agora, com a perspectiva da Copa do Mundo, uma operação de guerra foi montada para a pacificação. Seria inconveniente receber turistas onde está instalado o crime organizado. 
        Para não dizer que não se falou de flores, o governo, a dois meses do início do campeonato, convida a população a um “diálogo social sobre a realização do evento”, através de debates na internet . Qual seria a validade da opinião popular, se os recursos públicos já foram gastos e praticamente tudo está definido? Tudo leva a crer que a iniciativa é uma forma de aparentar um espírito democrático e conter manifestações e protestos durante os jogos. No entanto, o povo sente na pele que foi colocado em segundo plano.
    Certamente, Copa do Mundo é um evento dos melhores, que promove a integração das culturas, aproxima os povos, fortalece a tolerância com as diferenças. Mas será que para sua realização é necessário uma estrutura milionária e de aparências em detrimento das necessidades prioritárias das pessoas? Talvez o maior legado que a Copa vai deixar no Brasil seja o despertar do sentimento de cidadania em cada brasileiro, que clama por dignidade, acima da paixão que ainda tem pelo futebol.

Produzi esse texto na Oficina de Escrita Criativa, ministrado por Marcelo Spalding

09 abril 2014

Não deixe que a escola te ensine

O texto abaixo, escrito por Renato Carvalho,  é excelente, embora constate uma realidade indesejável da instituição Escola. Não deixe de lê-lo na íntegra. Precisamos de uma escola diferente, nova e  sei que estamos a caminho dela. Até porque os protagonistas da  mudança serão os estudantes, a meu ver, que não aceitam mais o modelo conteudista, que prioriza o ensino e não a aprendizagem.
CARTA À MINHA FILHA: NÃO DEIXE QUE A ESCOLA TE ENSINE
Querida Clarice!

O mundo está mudando rápido. Bem mais rápido que as nossas escolas. Há tantas delas que ainda não perceberam que este mundo internético em que hoje vivemos é radicalmente diferente do mundo desconectado de algumas poucas décadas atrás e que nossa Educação agora pode e precisa ser muito melhor. 


Fonte:  http://rescola.com.br/

29 janeiro 2014

Metamorfose


Gosto muito dessa passagem do livro Zorba, o Grego, de Nikos Kazantzaki. A sociedade  formata as pessoas, a escola padroniza  e não raras vezes, espera os mesmos resultados e comportamentos, os pais , muitas vezes, comparam os filhos. Temos pressa... O mundo exige respostas rápidas. No entanto, cada pessoa, cada ser vivo, cada elemento da natureza tem seu ritmo, tem seu tempo. Muitas vezes, as mudanças que vão acontecendo são internas e passam despercebidas. Um belo dia somos surpreendidos.
Tive um aluno da Educação Infantil que travava e entrava em pânico quando chovia e eu passava o tempo todo de mãos dadas. Muitas vezes o pavor era tanto que  os pais precisavam buscá-lo no meio da tarde. Ele mudou para outro estado. Ontem,dois anos depois,  para minha surpresa, vejo uma foto dele na minha timeline tomando banho de chuva , com um recado da mamãe :"Medo superado"! Fiquei feliz e entendi que essa superação foi um processo silencioso. 
Outra demonstração dessa questão ocorre com meu filhos. Desde a gravidez, comprei coleções de livros e contava histórias aos meus bebês. O Tadeu, o primogênito, sempre devorou livros, jamais dorme sem ler e até virou personagem  (Meu Pai Não Mora Mais Aqui - Caio Riter). Não nego que sempre senti certa frustração por não ver o mesmo gosto  pela leitura no Leonardo, apesar do meu incentivo e das fartas coleções de livros espalhadas pela casa. Sempre ouvi dizer que é de pequeno que se torce o pepino e por isso, estava perdendo a esperança. Mas eis que... Faz algum tempo, agora já universitário, tenho flagrado  meu caçula com livros grossos, entregue à leitura literária. Hoje ele ligou e propôs que comprássemos em sociedade uma coleção de livros que ele fussou e achou na net. Percebo que o ambiente  estimulador foi fundamental. 
Não podemos forçar as leis da natureza. Tudo tem seu tempo certo pra acontecer e cada um precisa superar seus próprios desafios. 

18 junho 2013

Redes sociais mobilizam o país


O país vive um momento histórico. Foi-se o tempo em que uma Copa do Mundo alienava o povo em frente a TV, enquanto por trás dos bastidores o governo agia em silêncio. Estamos em novos tempos, em que a TV perdeu ou dividiu  espaço com as redes sociais. Reproduzo abaixo um texto imperdível do professor José Carlos Antônio, que faz uma reflexão importante sobre a força das redes sociais .

"Fim de madrugada, começo de um novo dia... Talvez com um Brasil um pouco diferente. Quem sabe...

Aproveito o finzinho da madrugada para refletir sobre como os políticos atuais se parecem com muitos professores que desprezam as TIC por crerem que "não precisam dela". Claro, isso é um recorte. Mas é meu recorte da madrugada e, como você verá abaixo, são esses recortes que constroem o mundo novo onde estamos agora.

Nossos políticos e seus governantes (sim, aqueles que governam os políticos), também desprezam as redes sociais. Talvez por serem sociais, o que lembra "povo", talvez porque não acreditem que a internet possa fazer frente aos seus "pelotões de choque midiáticos", sustentados por vantagens e altas verbas publicitárias e donos de "marcas jornalísticas", revistas, jornais de grande (?) circulação e "profissionais da mídia" pagos para "colocar panos quentes", enfatizar certos termos como "baderneiros", "vândalos", etc., e continuar ocultando suas "vergonhas", digamos assim.

Não ocorre a esses políticos que por trás de centenas de milhares de computadores anônimos estão pessoas de todo tipo, muitas delas mais bem formadas e informadas que a própria "máquina de inteligência" dos governos. Não ocorre que essas pessoas não podem ser caladas na base da porrada, das bombas e balas de borracha. Não ocorre que essas pessoas constituem hoje um canal de expressão livre que eles não podem comprar. São pessoas que não querem receber nenhum dinheiro para registrar, opinar e divulgar os fatos que antes podiam ser bem mais facilmente escondidos.

Os celulares, que alguns governos querem proibir nas escolas, e contam para isso com o apoio de muitos professores, são agora ferramentas de registro que não permitem mais que atrocidades sejam feitas às escondidas. Podemos ver quem deu o primeiro tiro, atirou a primeira pedra, iniciou a confusão. Em instantes essas imagens estão na rede e viajam o mundo. Agora a vergonha é pública. Não dá mais para esconder. Pessoas lúcidas e que não têm um pauta determinada pelos donos das grandes corporações jornalísticas analisam, opinam e se posicionam. E ninguém pode mais impedi-las.

A rede registra a história, a seu modo, e de forma indeturpável. A história agora não é mais como nos "livros de antigamente", que só tinham uma versão. Ah se os negros, os índios e todos os desgraçados de gerações anteriores tivessem celulares e internet... Como não seriam as aulas de história hoje?

Assim como alguns professores jurássicos que acreditam que a tecnologia, as redes sociais e as mudanças de paradigmas "são coisas que não lhes interessam", esses políticos também estão perdendo sua clientela. Professores e políticos arrogantes e egoístas, que só enxergam a si mesmos e "seus planos de aposentadoria", correm juntos o risco de serem "exonerados pela clientela".

Talvez esse momento sirva como uma boa oportunidade de reflexão para ambos: não se pode desprezar as pessoas e o andamento da história. Porque a história são as próprias pessoas andando no tempo e criando fatos. O país somos todos nós. A escola são todos os alunos. Professores e políticos são apenas servidores e deveriam servir ao invés de serem apenas servidos.

As redes sociais e as tecnologias digitais não são mais "apenas brinquedinhos da molecada", são armas letais e "muito legais", que lançam luz contra aqueles que vivem escondidos nas sombras. Aprendam isso políticos! Ensinem isso, professores!"

24 abril 2013

Para ler na escola


Reproduzo aqui esse texto muito oportuno para reflexão. Afinal, educação é a chave de tudo e responsabilidade de todos.
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De nada valem aplicativos geniais e vídeos engraçados no YouTube se alguém não ensina o que é a ironia

Fico imaginando o quanto deve doer o "Coração de Estudante" do Milton Nascimento ao ser bombardeado com imagens de professores com suas caras arroxeadas que não param de aparecer na televisão, nos jornais, nas "internets" e nos hospitais.
Professor pega gripe de menino catarrento que dá bom-dia com beijo, faz curativo no atentado que se rasgou na hora do recreio, é o psicólogo preferido do adolescente meio "revolts" e o defensor-mor da igualdade no reino das diferenças que imperam em uma escola.
Agora, porém, o respeito, a consideração e a admiração ao mestre, valores intocáveis e inquestionáveis, parecem que estão sucumbindo a qualquer mimo, a qualquer charme, a quaisquer garotões ou garotonas bobos que se acham, mas que, no fundo, estão bem perdidos.
Professor é o cara que entrega para a gente, em alguns casos, quase de graça, uma chave universal que destranca portas ao longo de toda a trajetória de vida. Mesmo assim, a tranca da ignorância de quem acha que ensinar é algo ultrapassado parece estar ganhando adeptos com velocidade.
Quero ver o Google inspirar a pensar que, talvez, o segundo resultado de uma pesquisa seja mais íntegro e válido do que o primeiro link apresentado. Duvido que haja jogos on-line mais interessantes do que um bom debate sobre a danada da Capitu.
De nada valem aplicativos geniais e vídeos engraçados no YouTube se alguém não ensina o que é a ironia, o que são os efeitos da trigonometria, a importância do porto de Alexandria, a razão por que tantos buscam isonomia e os relevos da geografia.
Passou da hora de a galera do fundão reagir criando uma marchinha de agrado ao professor. E também é momento de os nerds fazerem uma campanha no ciberespaço de valorização do conhecimento.
As bonitas poderiam ajudar a dar um up no make caído que fazem para o "prô". A galera da timidez poderia preparar um grito bem gritado de "cheeeega", de cale-se e preste atenção, que é meu futuro o que está no gramado. Aos puxa-sacos caberia fazer redondilhas cheias de xodó.
Quando a violência não é mais um tema da rua e de ambientes hostis, em que a gente tem sempre um político safado a quem impor a responsabilidade, e começa a ser fotografada dentro do palco maior de aprendizado, a escola, parece que o futuro está avisando, com calafrios, que ficará doente.
Este texto não é para ser lido na escola porque vai cair na Fuvest nem trata de um tema modernoso, que não para de ser discutido nos mundos acadêmicos. Ele também não tem palavrão caprichado e escracho sujão para se morrer de achar bom, compartilhar com os amigos.
Ele só serve para lembrar e reafirmar que escola e professor são fundamentos que instigam acordar para fazer melhor, para ganhar mais uma dose de estímulo para ir além. Não é a história de um fulano em uma caverna distante que é afetada quando um mestre apanha de um aluno. É a história que você está construindo para seus filhos e para si mesmo.
Que as caras manchadas dos prófis sejam de tanto rir de conquistas daqueles a quem se doaram ou pela maquilagem escorrida de tanto chorar de orgulho por aqueles a quem se dedicaram. E desculpe-me do tom professoral.

JAIRO MARQUES

12 janeiro 2013

O Amor e a Liberdade


Pássaro livre que todas as manhãs vem se alimentar na minha horta.

Amo a liberdade, por isso as coisas que amo deixo-as livres.Se voltarem é porque as conquistei. Se não voltarem é porque nunca as tive.

A autoria da frase é duvidosa, mas gosto de citá-la porque reflete o que penso. Amor pressupõe liberdade  e não propriedade. Nenhum pássaro pode ser pássaro se lhe tiramos  a sua essência de voar e o engaiolamos. Esse passarinho da foto não é meu, mas me alegra todas as manhãs e depois voa para onde desejar. E sempre volta, porque nós o alimentamos com farelo de milho. Acordo ouvindo o canto dos pássaros, sem precisar de gaiolas, que tenho certeza inibiria tão bela sinfonia.
Assim é com as pessoas. Não podemos construir nenhum relacionamento feliz querendo se apossar dos outros, cerceando sua liberdade de ser o que desejam , de estar onde querem, de expressar o que pensam. Parece um paradoxo, mas quanto mais deixamos  que sejam livres, mais fácil as pessoas que amamos são nossas, por  livre vontade.  É uma pena que dificilmente isso é respeitado nos relacionamentos e cada um quer impor sua vontade, deixa se contaminar pelo ciúme, pelo individualismo,  pela insegurança da perda.Quem quer ser gaiola, um dia pode num descuido deixar a porta aberta e perder para sempre o seu pássaro. Mas quem sabe alimentar com atitudes de gentileza, de tolerância , de respeito às diferenças, de generosidade jamais perderá a pessoa amada, porque ela não precisa buscar o que precisa se já o tem ali do seu lado. Não falo só de relacionamentos amorosos, mas de todas as formas de convívio. 

Dê a quem você ama: asas para voar, raízes para voltar e motivos para ficar.
Dalai Lama


15 outubro 2012

No dia do professor...

Não consigo nomear a todos os colegas professores a quem quero homenagear nesse dia sob pena de esquecer alguém, o que seria injusto. Mas você, professor, que está me lendo, sinta-se abraçado. Hoje é um dia para refletir um pouco mais sobre essa nossa árdua tarefa. Momento para agradecer tantas oportunidades, alegrias, partilhas, momento também de reivindicar mais valorização, mais justiça, mais condições de trabalho, mais salário. Ser professor é algo de muita responsabilidade, visto que temos nas mãos pessoas que dependendo de como são trabalhadas, podem virar heróis ou bandidos. Não podemos assumir, porém, todas as culpas ou ganhar todos os méritos. Fazemos o que podemos, numa sociedade comandada por um sistema que não tem interesse em privilegiar todos , mas alguns e nesse cenário, a educação convém só até certo ponto. Que cada um de nós, professores, tenhamos a coragem de defender sempre a verdade, acima de qualquer coisa. Que saibamos ter discernimento da melhor palavra a ser dita, da melhor estratégia a ser tomada para a construção de seres humanos, capazes de usar o conhecimento para o bem. Feliz Dia dos Professores para Euzinha e todos. Beijos!

Transcrevo aqui um texto que retirei do facebook da autoria de Silvio Costa

PROFESSOR
Não precisa de “um dia”; já tem um diário com 200 deles!
Não precisa só de parabéns; alguns precisam ser canonizados.
Ganhar status de Buda; pela paciência absurda.
Ganhar chuteira de ouro; por chutar todo dia a bunda da ignorância.
Não precisa de tapinhas nas costas ou balinhas sobre a mesa,
Precisa ser valorizado, agradado e adoçado pela verdade;
do mais humilde ao presidente; por tod
a a sociedade.
Ser respeitado como gente, que ajuda a transformar gente em gente de respeito;
Precisa reclamar, mas ensinar direito; pedir que façam; mas também fazer direito,
Falar com propriedade, mas também ouvir direito;
Lapidar a sabedoria, sem querer ser um diamante perfeito.
Ser professor de valor; exigir transformação porque é ser transformador.
Transforme-se professor:
Se ama ensinar continue; não desista.
Se te angustia saia; não insista.
Se ser professor te faz feliz você não precisa de um dia, pois já tem uma vida inteira.
Que cada segundo deste dia que “te deram” seja um dia seguido na escolha que fizeste.

Silvio Costta



12 outubro 2012

Crianças, uma reflexão necessária em seu dia!

 Hoje é Dia da Criança, que além de ser esse serzinho especial, cuja essência todos deveríamos carregar dentro de nós para o resto das nossas vidas, é matéria prima de meu trabalho diário. Por isso também olho pra elas hoje como educadora e publico aqui uma matéria muito interessante que a Rede Pró-Menino - Fundação Telefônica divulga aqui. Hoje as crianças estão expostas a muitas situações de risco e quando falo risco, me refiro além dos perigos físicos, os morais, impostos pelos adultos, causando reflexos tristes em seu comportamento. Depois, os próprios adultos tentam tratar a criança  com desvios de conduta ou comportamento, mas muitas vezes, o problema  está na causa, que essa sim, deveria ser investigada e tratada. Trabalho infantil, pedofilia, falta de limites, descaso, abandono,  incentivo ao consumismo exagerado sáo alguns exemplos do que citei. Não adianta encher a criança de presentes caros para preencher o vazio deixado pela ausência e não sentar no chão para brincar junto ou contar uma história. Melhor construir com ela um brinquedo de sucata, dar a atenção  necessária e a felicidade está garantida. Tenho construído com as crianças brinquedos de sucata e entre eles , como parte de um projeto, um cavalinho de pau e vejo o quanto essa atividade simples as tem deixado felizes e o quanto brincam com um brinquedo que não custou nada e ainda ajuda a salvar o planeta reaproveitando o lixo. E vejo com alegria que muitas outras crianças da cidade foram presenteadas também com um cavalo de pau. Crianças precisam de exemplos bons para serem o que esperamos delas. Nas atitudes mais simples, como respeitarmos uma fila, mesmo que essa seja composta de crianças, que em tamanho são menores, mas em grandeza, nem se compara.

Caros leitores, leiam o texto a seguir.


O QUE ESTAMOS FAZENDO COM NOSSAS CRIANÇAS?


Torna-se cada vez mais comum crianças e adolescentes serem encaminhados a
serviços de saúde porque apresentam problemas na escola. Esse fenômeno não é novo e
tem sido chamado de medicalização da educação: trata-se de reduzir questões
escolares, e consequentemente sociais, a problemas médicos. Isso vem se intensificando
a partir do uso de psicoestimulantes para controle de hiperatividade e incremento da
capacidade de atenção. Também tem se tornado comum crianças e adolescentes serem
encaminhados a serviços de justiça por razões semelhantes, sobretudo quando assumem
formas agudas ou tendem a se cronificar, evidenciando, assim, outro fenômeno também
conhecido entre nós, a chamada judicialização, ou seja, a redução das mesmas
questões a problemas de justiça. Se no primeiro caso assistimos à administração de
nocivas drogas psiquiátricas a sistemas nervosos ainda em formação, no segundo nos
assombramos com o selamento de destinos à margem da sociedade e, pior, operado por
profissionais encarregados de proteger e tratar a infância.
A apresentação sucinta de um caso pode deixar mais claro o que estou afirmando.
Wilson era um aluno de 5º ano quando o conheci. Ele costumava ter “surtos” – assim
eram chamados, pelos agentes escolares, seus ímpetos de indisciplina e aparente
descontrole. Em um desses ímpetos, a escola chamou a polícia, que a muito custo o
controlou e decidiu por enviá-lo ao hospital em uma ambulância. O acontecimento é
assustador, ainda mais se tratando de um menino de 10 anos. Mas, dirão os da escola,
seu comportamento atingiu um nível inaceitável: agredia colegas e educadoras, gritava,
xingava, saía correndo pelos corredores do prédio. Tanto é que havia sido diagnosticado
por um especialista como portador de Transtorno do Déficit de Atenção com
Hiperatividade (TDAH), tendo sido lhe receitado Ritalina®. E, como estamos em um
município em que esse medicamento é distribuído gratuitamente à população, não
haveria razões para sua destemperança, a não ser por negligência do aluno ou de sua
família.
É preciso que analisemos com calma. O caso é complexo e não aceita respostas
simples, o que, de cara, já nos faz desconfiar de uma saída baseada apenas no controle
medicamentoso. A quem se dedica a estudar seriamente o fenômeno humano, torna-se
claro que estabelecer causas lineares entre causa e efeito é, no mínimo, ingenuidade. Há
que se pensar, sempre, em multideterminação, o que afasta a resposta tão frequente
quanto simplista de que o comportamento de Wilson é efeito de mau funcionamento
cerebral. A medicina não dispõe ainda de exames que afiram desequilíbrios
neuroquímicos, ainda que estes desequilíbrios sejam propagandeados como causas
inequívocas de supostos transtornos. Além disso, autocontrole voluntário do
comportamento e da atenção são habilidades ensinadas e aprendidas, e não simples
efeitos do funcionamento cerebral. Portanto, é mais acertado pensarmos que o
funcionamento cerebral é efeito de processos de aprendizado social, não o contrário.
Assim, as raízes da forma como Wilson se comporta devem ser buscadas nas suas
relações com o contexto que o envolve, ao longo de toda sua existência. Isso significa
levar em consideração sua vida dentro e fora da escola; sua história familiar e seu
percurso na instituição. Escola e família, porém, também devem ser contextualizadas
social e historicamente. É preciso saber a que classe social pertence a família, a que
condições de vida está sujeita, qual a qualidade das políticas públicas de bem estar social
a que tem acesso, quais as transformações tecnológicas, econômicas e sociais mais
amplas que acabam influenciando o comportamento não só de Wilson e sua família mas
de todos nós. Do mesmo modo a escola: qual a sua qualidade? Os professores são bem
pagos, têm boa formação, boas condições de trabalho e participam democraticamente
das decisões institucionais? Os conteúdos e métodos de ensino são adequados? Toda
essa problemática é dissimulada quando apenas ministramos, ou tentamos ministrar,
comprimidos de Ritalina® para Wilson.
Mas há quem ganhe com isso, evidentemente. Em primeiro lugar a indústria
farmacêutica com seus lucros astronômicos, capazes de financiar pesquisadores que
divulgam o transtorno e o tratamento como verdades científicas avançadas e
inquestionáveis. O sistema de saúde mental infantil do município também ganha, pois
oferece com menor gasto uma resposta à demanda, uma vez que não se dispõe a lidar
com a complexidade envolvida na questão. A escola e a professora de Wilson, caso ele
tome o remédio, também ganham: se asseguram que o problema está apenas no aluno
ou em sua família e não precisam, assim, questionar seu próprio trabalho. Então, quer
dizer que o remédio funciona? De fato, os psicoestimulantes têm a capacidade inicial de
aumentar a performance das funções cognitivas, entre as quais a capacidade de focar a
atenção. É por esse motivo que a cocaína, ou mesmo a Ritalina®, são utilizados por
profissionais ou estudantes em momentos estratégicos ou de pressão.
Uma criança medicada na sala de aula é, inicialmente, uma criança focada e quieta.
Sim, porque, paradoxalmente, o estimulante faz com que as crianças se aquietem, a
ponto de se tornarem como zumbis. Na verdade, zombie-like é um sinal de toxicidade da
medicação, cuja lista de reações adversas é alarmante: nervosismo, insônia, cefaleia,
discinesia, tontura, dor abdominal, humor depressivo transitório, retardamento do
crescimento etc. – a lista é grande; basta consultar a bula do medicamento. Seu consumo
prolongado é sugerido, por certas pesquisas, como determinante de peso para a
drogadição na adolescência e a ocorrência de pensamentos suicidas. Há longo prazo,
parece que o medicamento induz a efeitos inversos do que se propunha a realizar:
agitação motora e dificuldade de aprendizagem. Esse é o preço que estamos dispostos a
pagar para calar nossas crianças?
Fiquei inicialmente animado quando soube que o caso de Wilson seria discutido por
profissionais de saúde, assistência social e educação, numa espécie de reunião interserviços.
Nessa reunião, foi comentada sua complexa situação familiar: mãe viciada em
cocaína, capaz de se prostituir para conseguir a droga; pai enfraquecido; relação
erotizada entre mãe e filho, ambos refratários a prescrições medicamentosas. Isso sem
contar outros agravantes comuns a vidas castigadas pela pobreza. A discussão foi bem
rica, pois contou com diversas perspectivas profissionais provenientes de diferentes
serviços públicos. Porém, algo unificou a diversidade: a sensação de impotência diante da
complexidade do caso. Optaram então por acionar o Ministério Público, a fim de que este
pressionasse Wilson e sua mãe a aderirem à medicação. Assim, um caso que
manifestava, a seu modo, a difícil condição social a que são sujeitas inúmeras famílias em
nossa sociedade, um caso que tinha como uma de suas vias de expressão condutas
antissociais na escola, expressão esta transformada em patologia a ser medicada, agora
encaminhava-se a se tornar um caso de justiça.
Não é aceitável que continuemos a culpar e reprimir aqueles que mais sofrem as
condições aviltantes de nosso funcionamento social. Não é possível que continuemos
formando profissionais que se utilizam de meios pretensamente eficazes, neutros,
“científicos”, para perpetuar formas de submissão dos deserdados e de
desresponsabilização das instituições sociais. São necessários investimentos maciços em
melhores condições de vida, em relações sociais humanizadas e em condições dignas de
trabalho nas instituições de educação, saúde e assistência social, não na indústria
farmacêutica nem em aparatos de controle jurídico e policial de problemas sociais.


Fábio Alexandre Gomes
Assistente Social - Cress 33.761/9ª região
(12)9737-5494

29 abril 2012

Indagações







"É uma sensação esquisita. Está tudo bem, nada de grave aconteceu, mas você não está legal."  Hoje, lendo a crônica Os Expulsos, da Martha Medeiros, que inicia com essa frase, encontrei o que eu queria dizer e não conseguia. Ando meio displiscente com as postagens do blog. E não só. Ando meio "devagar" em tudo. Pelo menos, mais devagar do que eu costumo andar.  O motivo nem eu mesma sei. Não mudei minhas convicções, nem meus gostos. Mas mudou  o meu ritmo. Me perguntam como estou e eu fico sem saber o que responder.  Navegando mais um pouco, deparei com o vídeo acima, uma adaptação de
Cristiane Fariah para a linguagem da animação do haikai de Paulo Leminski: "vazio / agudo / ando meio / cheio de tudo".  Pois é isso: ando meio cheia de tudo. Uma espécie de cansaço que não é bem físico, nem mental...  
Martha se indaga, lá pelas tantas, se será esse o sintoma da velhice chegando, esse "sofrer de multidão e não de solidão". E fico também me perguntando. As imagens do vídeo são muito sugestivas. Todo dia absorvemos tanta novidade, porque o novo fica velho tão rápido! Até quando vamos a aguentar essa overdose de informação?  Por outro lado, como ficar "por fora", ignorar as mudanças, ficar à margem? Esse é o dilema. "Você sabe que não é melhor do que ninguém, porém gostaria de ser melhor do que você mesmo, mas como?" São cobranças e cobranças que fazemos a nós mesmos. Problema de quem sofre de curiosidade  e  inconformidade crônicas. Me desculpem, queridos seguidores, pelos meus altos e baixos.

05 outubro 2011

Superação!




Poucas vezes paramos para pensar em tudo o que temos e nem sempre valorizamos. Especialmente os dons que muitas vezes deixamos de desenterrar dentro de nós. As pequenas (grandes) coisas gratuitas que recebemos todo dia , e por estarmos acostumados com elas, passam em branco, mas que se por acaso as perdêssemos, nos fariam tanta falta. Vale refletir o que esse vídeo mostra. Talvez até sintamos vergonha de algumas atitudes.

11 agosto 2011

Estudar Vale a Pena

O dia 11 de agosto foi instituído o Dia do Estudante. Em tempos não tão distantes, a distinção entre professor e estudante era mais acentuada, pelo fato de que tínha-se a ideia de que  o primeiro ensinava e o segundo aprendia. Sim, existem momentos em que isso acontece e tem que acontecer sempre, também no sentido inverso. Mas estamos evoluindo. Com tanta produção de conhecimento, dobrando a cada piscar de olhos, nada é definitivo, duradouro ou verdade absoluta, portanto ser professor é também ser estudante. Quem não o for, demita-se! Costumo utilizar uma citação de Paulo Freire que é uma espécie de lema pra mim: ""Sem a curiosidade que me move, que me inquieta, que me insere na busca, não aprendo nem ensino". A curiosidade, o prazer de aprender, me leva a estudar. E eu gostaria de poder despertar o mesmo sentimento em cada aluno. 
Fico preocupada quando ouço jovens dizendo "Estudar pra que? Fulano de tal está faturando uma grana preta e não estudou". Até pode ser verdade, em alguns casos, mas estudar não significa só estar na escola, sentado numa classe, olhando pra nuca do colega da frente. Estudar é uma atitude também fora da escola, aprende-se com a vida e muito. Portanto, quem se dá bem, apesar de estar longe da escola, de alguma forma deu um jeito de estudar à sua maneira. Mas o que me preocupa nesse "Estudar pra que?", além dessa questão dos cifrões que o estudo possa proporcionar,  é ausência de uma consciência de que estudar nos faz ampliar e sensiblizar o nosso olhar sobre nós mesmos, o outro e o mundo. Estudar nos faz pessoas melhores ou deveria. Então muitos  devem  estar pensando que  diplomas sempre evidenciam  virtudes e sabemos que não é assim. Senão não teríamos tanta corrupção, quase sempre protagonizada por gente bem "letrada". O estudar a que me refiro, inclui o conhecer para transformar e transformar para melhor. Estudar para ser o sujeito de sua própria história e consequentemente um cidadão atuante. Estudar simplesmente para aprender a ser feliz. 
Desde criança gostei muito de estudar. Muito do  que sou e tenho veio através do estudo, da vontade de conhecer o novo, entender o velho. 
Parabéns para mim , que sou uma eterna aprendiz, a todos os meus alunos e ex-alunos. Continuemos sendo eternos estudantes ate´que um dia, estivermos "enfim, off line". 

Esse post faz parte de uma blogagem coletiva que  eu vi proposta no blog Querido Leitor, da Rosana Hermann

10 abril 2011

Dias Melhores

A todos os colegas educadores e aos educandos e familiares da 
EM Tasso da Silveira, de Realengo!

A vida continua sendo linda, embora a dor do momento seja imensurável. Terça-feira, ao retornar à escola, busquem juntos forças para direcionar a atenção às conquistas realizadas e vossos projetos. Não procurem explicações, não sintam-se nem busquem culpados. Continuem na meta de construir pessoas e sonhos. Semeiem boas sementes. A maioria haverá de crescer e dar bons frutos. É preciso continuar a ter esperança, olhar nos olhos, dar as mãos, sentir o pulsar da vida nas mínimas coisas. O bem ainda impera, apesar do mal que nos ronda o tempo todo. Alimentem-se com o espírito de Deus, que a todos dá refúgio, consolo e sentido para a vida. Pensem nas crianças que partiram como anjos  que agora vivem em paz em outra dimensão. E que vossos dias possam ser melhores, como os desejados nesse vídeo pelos formandos 2010 de vossa escola. Que Deus os conforte e abençõe!

13 março 2011

Amar; tempo: presente

O dia acordou lindo, radiante, vestido de domingo, mas meus olhos amanheceram úmidos de lágrimas, o coração com necessidade urgente de dizer "eu te amo", porque o amanhã talvez se esqueça de acontecer. O porquê dessa melancolia não é único, mas tem a ver com o tempo, que implacavelmente vai fazendo estragos em nossa memória.
Ontem visitei minha mãe, ainda bela, apesar de seus 84 anos de alegrias e dores. Em certo momento, olhava fixamente para meu marido e disse para minha irmã que não conseguia mais lembrar com quem ele era casado. Precisei recontar minha história e vieram muitas perguntas: quantos filhos eu tenho,  como se chamam, se estão crescidos, onde moram, o que fazem. Mas as perguntas se repetiam, como se em questão de segundos, a memória deletasse tudo. Também ficou admirada e orgulhosa quando disse que sou professora, quis saber detalhes. Onde estarão suas lembranças daqueles dias em que rezava silenciosamente, com o coração apertado, enquanto longe de casa eu  estudava e me preparava para ser uma educadora? Até quando eu a terei ou ela me terá, eu não sei. Mas sei que enquanto ainda é possível, é preciso dizer "eu te amo, mãe, e sou grata pelo maior presente que ganhei de ti: a vida. Quando  a memória  te trair de vez, guarda esse  meu amor no teu coração".
Muitos de nós, que temos sã consciência, também parece que perdemos a memória de fatos recentes e continuamos agindo sempre da mesma maneira, sem aprender com os erros que cometemos. Quando vejo as imagens dos horrores ocorrendo no Japão, penso que a humanidade está perigosamente se acostumando com as tragédias naturais. Até quando estaremos a salvo, até quando isso só acontece com os outros? Até quando esperaremos para mudar os nossos pequenos hábitos consumistas? Jaques Delors, definiu os quatro princípios para a educação no século XXI e um deles, em especial, eu destaco. "Saber fazer"! Ou seja, "saber e fazer". Não adianta nada o primeiro, sem o segundo. Até quando nas escolas se desvinculará a teoria da prática?
É urgente! É pra hoje! É preciso dar-se conta de que o amanhã é incerto. Só hoje podemos dizer eu te amo  às pessoas que estão do nosso lado, ao nosso bicho de estimação, às flores do nosso jardim, ao rio que agoniza. CARPE DIEM !

20 fevereiro 2011

Novo ano letivo

As aulas estão de volta. Novos alunos, novos desafios... Planejamento, currículo, metodologias, tudo é preciso refletir, dosar. No entanto, o que deve estar primeiramente no seu eixo é o professor. O aluno não aprende só o que o professor sabe, mas especialmente aprende com o que ele é, com sua postura, com seu exemplo, seu comprometimento e caráter. Prova disso é que os professores que ficaram em nossa lembrança, são os que souberam nos olhar de forma diferenciada, nos ouviram, nos disseram aquilo que precisávamos ouvir. Quero dizer com isso, que o professor precisa ser "humano" e precisa humanizar, não apenas instruir. Os conhecimentos ficam ultrapassados  em pouco tempo, as atitudes se eternizam. Mas como conseguir lidar de forma tranquila com tantas situações complicadas, que cada um traz de contextos diferentes? Eu diria: estando sempre em harmonia consigo mesmo. Isso inclui saber lidar com o amor e os desertos que carregamos dentro de nós. (Zeca Baleiro fala disso em uma de suas músicas). O mundo sempre nos cobra  que  temos que  "dar certo", nem que para isso  tenhamos que dar muitos sorrisos amarelos para aqueles que esperam que sejamos aquilo que não somos. O relógio nos cobra rapidez, mas a vida precisa que andemos mais devagar para sentir seu sabor. Quem sabe, aprender a priorizar a arte de "conviver" com os outros e conosco mesmos seja fundamental para não sair do eixo. Quem sabe, nos permitindo errar, nos permitindo discordar, encontremos o caminho do acerto, encontremos  com a nossa própria imagem, sem despersonalizações. Só sabendo conciliar amor e deserto, teremos condições de ajudar  nossos alunos a conviver, saboreando alegrias e também aprendendo a lidar com a tristeza, sem se perder. Estar no eixo talvez seja aquele ponto de equilíbrio entre o narcisismo e a depressão, males do mundo moderno. Ou eu sou "o melhor"  ou "eu não sou nada". Essa é a ordem social. É disso que precisamos nos livrar.  "Gostos, cores e amores  não se discutem". Nesse dito popular está uma grande verdade. Somos o que somos, com erros e acertos. Penso que vivenciando essa liberdade, teremos muito mais condições para estar em sala de aula  e ser um exemplo de vida, uma referência que o alunos procuram no professor e não apenas um poço de conhecimento. Alguns eventos educacionais que vivenciei nos últimos dias me permitiram essas reflexões. Bom ano letivo a todos nós, educadores e educandos!

30 dezembro 2010

Bye, bye, 2010

 Inevitável escrever um pouco sobre o final do ano. No dia primeiro do ano novo será tudo igual, mas temos a ilusão do novo,  renovamos nossos propósitos e energia, estabelecemos novos desafios  e queremos que tudo o que não conseguimos no ano que finda se concretize no que está por vir. Tudo porque segundo Mario Quintana "Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano Vive uma louca chamada Esperança" . Esperamos sempre dias melhores. Jogamos para o futuro a expectativa de ser mais feliz, enquanto o hoje se desfaz num piscar de olhos e viajando no trem da vida esquecemos de parar na estação. Corremos, corremos , temos pressa sem saber onde chegar. Quando vemos o  ano acabou e olhamos para trás para contabilizar o saldo. 
Em 2010, apesar das tragédias  que infelizmente muita gente se acostuma a ver de forma resignada, muitas coisas boas também aconteceram. A pior parte foi ter que me submeter a uma cirurgia difícil, a melhor,  é que sobrevivi. Conheci muita gente, colegas especialmente, através das redes sociais, do Fórum Educadores Inovadores da Microsoft, dos cursos EAD pela tutoria no Educarede. Na escola, foi puxado, alguns projetos ficaram a desejar, mas fiz o possível nas condições em que estava. Só tenho a agradecer a Deus pela família que tenho e pelos momentos compartilhados.
2011 está dando as caras e a Dona Esperança, pintadinha de verde, promete muito. A realidade talvez obedeça. Que esse país, de governo novo, possa avançar em todos os sentidos, que possamos pensar menos no próprio umbigo e mais no coletivo.  
Uma dica para rever os principais fatos de 2010 está no site G1,através de globos interativos, bem interessante.
A todos os meus visitantes obrigada por passarem por aqui. Não tenho sido muito assidua nas postagens, em virtude do tempo dedicado às muitas atividades, somado ao cansaço e problemas de saúde justificam em parte. Em 2011 tentarei ativar mais o blog. Bom Ano Novo a todos com muita saúde, paz, amor e sonhos pra sonhar e realizar.