Um arco-íris sobre minha escola. Um sinal de esperança que não pode morrer na educação. Minha esperança está nas crianças, que um dia poderão mudar o que temos na sociedade de hoje . É para isso que trabalho. Essas crianças que no meio da tarde , do nada, te dizem "profe, eu te amo" ou "profe, sabia que você é legal?" . Essas crianças que passaram por ti faz anos e correm ao teu encontro nos corredores do colégio para dar abraços e dizer " que saudade" . Essas crianças quepedem para serem amadas, que trazem depoimentos às vezes tristes, de descaso e desatenção que a escola precisa preencher, muito além de conhecimentos. Não somos só professores. Somos diariamente psicólogos, enfermeiros, contadores de histórias, mágicos e por aí vai... Infelizmente perdi a esperança de mudanças em certas pessoas bem grandinhas. Essas que são capazes de se voltar contra os professores. Esses mesmos professores que lutam não simplesmente por salários(que são um direito) , mas por uma sociedade justa, digna e livre de mentes colonizadas. Minha esperança são as crianças e sempre vou acreditar que a mudança é possível, senão estarei morta, embora existindo.
30 setembro 2015
04 setembro 2015
Tempos bicudos
Tudo na vida pode ser visto de vários pontos de vista, pode servir para o bem ou para o mal, até mesmo uma crise. Não saberíamos o valor do bem, se não houvesse o mal, nem o bom da alegria, sem experimentar a tristeza. Não buscaríamos soluções criativas, se não houvesse o aperto. Não aprenderíamos a valorizar o que temos se não sentíssemos a falta ou o risco da perda. Mas ninguém gostaria de aprender nada pela dor, se podemos aprender pelo amor.
Os últimos tempos e acontecimentos estão me trazendo um sentimento de desalento. Divergências são saudáveis, mas o que se vê não são diálogos, só ódio. Não há ponderação, apenas extremismos. Não há compaixão com o outro, cada um olhando só o próprio umbigo. Numa crise assim a gente aprende também a conhecer as pessoas. Saber quem é quem. E a desilusão toma conta de mim ao ler tantos pensamentos pequenos.
Não seria melhor mudar o foco para a busca de soluções em vez de apontar culpados? E soluções justas, que beneficiem todos e não só alguns? Eu quero uma luz no fim do túnel. Eu quero manter a esperança, entrar na sala de aula, ajudar a construir seres humanos melhores, acreditar na mudança possível e no final do mês receber o que mereço pelo meu trabalho, assim como todos tem o direito. Eu quero ver as pessoas sendo respeitadas na sua dignidade. Ver o dinheiro público no lugar certo, não nas mãos de poucos que se adonam do que não é seu. Que sociedade é essa em que políticos eleitos para servirem o povo se apropriam dos bens comuns e ainda conseguem fazer com que esse mesmo povo brigue entre si para defendê-los? Estamos vivendo uma guerra .Guerra que mata com tiro, com o trânsito, com os nervos. Tempos duros, em que pouco se vê de humanidade entre os que se dizem humanos.
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