29 janeiro 2012

Sugata Mitra na Educa Party



 Dr. Sugata Mitra, pesquisador da Índia, será o palestrante que fará a abertura na Educa Party, que acontece de 7 a 10 de fevereiro, dentro da Campus Party, em São Paulo. Colocando um computador,  num buraco no muro, Mitra constatou que crianças pobres , que nunca haviam tido acesso à tecnologia digital, em pouco  tempo aprendiam sozinhas a operar a máquina e navegar na Internet. O vídeo acima mostra como aconteceu essa experiência sensacional. A experiência do buraco no muro é ainda mais significativa por ser realizada entre crianças carentes, num país onde metade da população é analfabeta.Também tenho experimentado utilizar o computador como um recurso pedagógico com crianças ainda nem alfabetizadas e é impressionante a facilidade e autonomia que elas demonstram na utilização do mesmo.
A Fundação Telefônica patrocinará o evento, que no ano passado foi realizado em Valência, Espanha e reunirá 250 educadores de todas as regiões do Brasil, muitos já se conhecendo pela rede e  podendo agora  interagir presencialmente.  Para saber mais, acesse o site oficial  .

22 janeiro 2012

A história da Internet




As mudanças são tão rápidas que fica claro que o que vale hoje é a habilidade de estar aberto ao novo , adaptar-se a ele ou mesmo modificá-lo. Quem não se agiliza vive à margem da história. Temos a opção de ser sujeitos dela ou apenas ficar vendo o bonde passar.

Campus Party 2012

De 6 a 12 de fevereiro acontece em São Paulo, o maior evento mundial de tecnologia. a Campus Party, também  Educa Party, que será específico para a área de educação, onde haverá palestras, debates, oficinas e o encontro de educadores de todas as partes do país. Toda a programação Campus Party aqui e Educa Party aqui

15 janeiro 2012

Morte e Vida Severina



Este vídeo é uma animação em desenho 3D do poema Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto, feita pelo cartunista Miguel Falcão e gravada pela TV Escola. Outrora a seca era exclusividade do Nordeste, hoje, o vídeo revela também uma realidade do Sul do Brasil, onde muitos "Severinos"esperam pela chuva vendo a terra rachar sob seus pés. Mesmo com a chuva que veio nos últimos dias, é tarde para repor as perdas. Reflexos da natureza maltratada que devolve na mesma moeda. Não conhecia essa versão adaptada  do poema narrativo que é uma obra prima da literatura brasileira. Muito legal, adorei!

Ética Hacker para crianças e adolescentes



AlexPrimo fala do conceito hacker como aquele que tem prazer e liberdade em trabalhar, produzindo algo que beneficia a si e aos outros. Vejam o vídeo que vale a pena!

05 janeiro 2012

Crônica para refletir

         Quando o genial Luís Fernando Veríssimo escreveu essa crônica abaixo, ainda não se falava em notebook, celular, ipad, tablets, etc, etc. No entanto, o cronista já tinha uma previsão do que viria a acontecer. Hoje, 2012, o mundo não acabou como prenunciado para o ano 2000. Mas a tecnologia tomou conta de nossas vidas e consequentemente das escolas. Se bem que, as escolas estão muito atrasadas se comparadas com o cotidiano dos  estudantes fora dela.
              Penso que uma reflexão partindo dessa crônica é bem oportuna nos dias em que estamos vivendo, com tanta polêmica levantada sobre o uso de recursos tecnológicos nas escolas. Talvez muitos professores ainda estejam vendo a máquina como uma concorrente, uma ameaça, quando na verdade ela é  um recurso para potencializar a aprendizagem. No meu ponto de vista, cada vez mais, o educador é  imprescindível no processo educativo, não apenas pela questão afetiva, que interfere , mas também para mediar , instigar, direcionar a busca e construção do conhecimento. 
             Com o acesso fácil a essa overdose de informação, ficou mais difícil selecionar e aprofundar o que é mais significativo. Aí entra o educador, precisando de flexibilidade e firmeza ao mesmo tempo. Deixar o educando andar com as próprias pernas, mas ficar à sua sombra, vigilante.
              A ideia de tecnologia como algo frio e impessoal me parece algo do passado, depois da web interativa, que conecta pessoas, que permite a troca , a colaboração, a aproximação. Tecnologia também serve para humanizar.
              O que vocês pensam a respeito?


RETROCESSO

               O visitante estranhou porque, quando o levaram para conhecer a sala de aula do futuro, não havia uma professora-robô, mas duas. A única diferença entre as duas era que uma era feita totalmente de plástico e fibra de vidro — fora, claro, a tela do seu visor e seus componentes eletrônicos —, e a outra era acolchoada. Uma falava com as crianças com sua voz metálica e mostrava figuras, números e cenas coloridas no seu visor, e a outra ficava quieta num canto. Uma comandava a sala, tinha resposta para tudo e centralizava toda a atenção dos alunos, que pareciam conviver muito bem com a sua presença dinâmica, a outra dava a impressão de estar esquecida ali, como uma experiência errada. 
               O visitante acompanhou, fascinado, uma aula como ela seria num futuro em que o computador tivesse substituído o professor. O entendimento entre a máquina e as crianças era perfeito. A máquina falava com clareza e estava programada de acordo com métodos pedagógicos cientificamente testados durante anos. Quando não entendiam qualquer coisa as crianças sabiam exatamente que botões apertar para que a professora-robô repetisse a lição ou, em rápidos segundos, a reformulasse, para melhor compreensão. (As crianças do futuro já nascerão sabendo que botões apertar.)
            — Fantástico! — comentou o visitante.
            — Não é? — concordou o técnico, sorrindo com satisfação. 
         Foi quando uma das crianças, errando o botão, prendeu o dedo no teclado da professora-robô. Nada grave. O teclado tinha sido cientificamente preparado para não oferecer qualquer risco aos dedos infantis. Mesmo assim, doeu, e a criança começou a chorar. Ao captar o som do choro nos seus sensores, a professora-robô desligou-se automaticamente. Exatamente ao mesmo tempo, o outro robô acendeu-se automaticamente. Dirigiu-se para a criança que chorava e a pegou no colo com os braços de imitação, embalando-a no seu colo acolchoado e dizendo palavras de carinho e conforto numa voz parecida com a do outro robô, só que bem menos metálica. Passada a crise, a criança, consolada e restabelecida, foi colocada no chão e retomou seu lugar entre as outras. A segunda professora-robô voltou para o seu canto e se desligou enquanto a primeira voltou à vida e à aula. 
             — Fantástico! — repetiu o visitante.
            — Não é? — concordou o técnico, ainda mais satisfeito.
            — Mas me diga uma coisa... — começou a dizer o visitante.
            — Sim? — Se entendi bem, o segundo robô só existe para fazer a parte mais, digamos, maternal do trabalho pedagógico, enquanto o primeiro faz a parte técnica. 
            — Exatamente. — Não seria mais prático — sugeriu o visitante — reunir as duas funções num mesmo robô? 
           Imediatamente o visitante viu que tinha dito uma bobagem. O técnico sorriu com condescendência             — Isso — explicou — seria um retrocesso.
           — Por quê?
           — Estaríamos de volta ao ser humano. 
           E o técnico sacudiu a cabeça, desanimado. Decididamente, o visitante não entendia de futuro.

           Luís Fernando Veríssimo. In Nova Escola. São Paulo. Abril, out. 1990. p. 19.